Alta da Selic preocupa setor empresarial, mas Passo Fundo mantém resiliência com economia diversificada
A elevação da taxa Selic para 15% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na última quarta-feira (18), tem gerado preocupação entre os empresários de Passo Fundo. A medida, que visa conter a inflação ao restringir o consumo e o crédito, impacta diretamente a atividade econômica. O presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agronegócio (Acisa), Evandro Silva, afirmou à Rádio Uirapuru que os efeitos dessa política já são sentidos no dia a dia das empresas e dos consumidores.
Evandro explicou que o encarecimento do crédito compromete o poder de compra das famílias e dificulta a capacidade de investimento das empresas. Ele citou como exemplo o financiamento de imóveis e veículos, que se torna menos acessível com juros elevados. Segundo ele, esse cenário desestimula o consumo, reduz o volume de negócios e exige do empresário maior esforço para manter a operação funcionando sem prejuízos. “As empresas precisam gerir seus negócios com menor rentabilidade, o que também afeta a capacidade de manter empregos e honrar compromissos”, avaliou.
O presidente da Acisa ressaltou que, embora a alta da taxa básica de juros seja uma ferramenta legítima de controle da inflação, ela provoca efeitos colaterais severos, como o aumento da inadimplência e a retração na produção. Ele lembrou que o Brasil ocupa atualmente a segunda colocação no ranking mundial de maiores juros reais, o que, na sua avaliação, é um indicativo preocupante para a sustentabilidade econômica do país. “Essa realidade precisa ser revertida, com a redução gradual dos juros. Mais do que estabilidade, é necessário retomar o crescimento”, afirmou.
Apesar do cenário nacional adverso, Passo Fundo apresenta uma característica considerada estratégica para enfrentar períodos de retração: a diversificação da sua matriz econômica. Evandro Silva destacou que o município tem desempenho relevante nos setores da indústria, comércio, serviços e agronegócio, o que permite maior estabilidade em relação a cidades que dependem fortemente de um único setor produtivo. “Essa diversificação econômica nos dá mais fôlego para atravessar crises, pois se um setor recua, outros conseguem manter o ritmo”, observou.
O presidente da Acisa também apontou os eventos, feiras e congressos realizados em Passo Fundo como ferramentas eficazes para impulsionar a economia local em momentos de instabilidade. Ele informou que a cidade possui um calendário ativo de atividades, que atrai visitantes e estimula o consumo em restaurantes, hotéis e comércio. Um exemplo citado foi o Fórum de Turismo Regional, previsto para a próxima semana, que será promovido com apoio de entidades representativas e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento. “Essas ações ajudam a manter o dinamismo da economia mesmo diante das dificuldades impostas pela política monetária”, afirmou.
Evandro defendeu ainda a mobilização conjunta de entidades, setor público e iniciativa privada para enfrentar os impactos da taxa Selic elevada e manter a economia local em movimento. Para ele, a resposta precisa ser coordenada e propositiva, com foco na preservação das empresas, do emprego e do consumo. “Mesmo que o cenário macroeconômico esteja fora do nosso controle direto, precisamos seguir buscando soluções locais, promovendo o desenvolvimento e protegendo o bem-estar da nossa população”, concluiu.