Nas Entrelinhas: Supremo rejeita pedidos da defesa de Bolsonaro e mantém delação de Mauro Cid
No quadro Nas Entrelinhas desta quarta-feira (18), o comentarista Mauro Vinícius de Moraes abordou a decisão do Supremo Tribunal Federal de realizar duas acareações entre réus e testemunhas na ação que investiga a tentativa de golpe em 2023. O ministro Alexandre de Moraes autorizou os procedimentos a pedido das defesas. Uma das acareações envolverá Mauro Cid e o general Braga Netto; a outra, Anderson Torres e o general Freire Gomes, este na condição de testemunha. Segundo Mauro Vinícius, o general é o único que tem a obrigação legal de dizer a verdade, sob pena de incorrer em falso testemunho.
Ainda conforme o comentarista, as acareações foram marcadas para terça-feira, com início às 10h, mas não serão transmitidas ao público. O general Braga Netto, que está preso no Rio de Janeiro, será transferido a Brasília para participar presencialmente. Mauro Vinícius explicou que a acareação consiste na confrontação direta de versões prestadas anteriormente, o que pode esclarecer contradições. “Você está dizendo que não entregou, que não recebeu a caixa de vinho; você está dizendo que entregou. Como é que fica?”, exemplificou.
Apesar do valor jurídico do procedimento, o comentarista afirmou que sua experiência como delegado da Polícia Federal mostra que, na prática, a acareação costuma ter baixa eficácia. “Na maioria das vezes, as testemunhas e os réus mantêm as suas versões, até porque já foram exaradas em depoimentos anteriores”, afirmou. Ele destacou, no entanto, que negar o pedido poderia gerar alegações de cerceamento de defesa.
O comentarista também repercutiu outro despacho recente do ministro Alexandre de Moraes, que determinou ao Google a identificação da origem do documento conhecido como “minuta do golpe”, encontrado no gabinete de Anderson Torres. Segundo Mauro Vinícius, Moraes deu prazo de 48 horas para que a empresa informe quem publicou o arquivo, após Torres afirmar que o conteúdo foi retirado da internet. “Se apareceu o Anderson Torres, aí ele produziu prova contra ele mesmo”, observou.
Ouça o comentário na íntegra: