Editorial do Jornal Troca-troca: O Nacional: 100 anos informando
Festejar, marcar, um século de existência de uma pessoa, empresa, de uma instituição ou de acontecimento é algo que foge da rotina festiva do nosso cotidiano. Não se trata apenas de celebrar a passagem do tempo no calendário.
É gratíssima oportunidade para refletir sobre o passado secular, é momento para tirar lições para o novo amanhã, fortalecer os vínculos que foram essenciais para viabilizar tal
caminhada, visualizar o futuro com otimismo e, obviamente, festejar com muita alegria e aquela sensação do dever cumprido.
Registrar os 100 anos de existência de O Nacional é algo que coloca em relevo também a ação dos veículos de comunicação social de Passo Fundo, que sempre exerceram papel de destaque – em rádio, TV e jornal – no interior gaúcho e cuja ação cotidiana está entre os fatores que consolidaram nosso município como polo cultural, social e econômico do Norte gaúcho.
“Echo da Verdade” é tido como o primeiro jornal a ser editado aqui, sob direção de Gervásio Lucas Annes em 24 de abril de 1890, ligado ao Partido Republicano. Mais de uma dezena de órgãos de comunicação social surgem e desaparecem até 19 de junho de 1925 quando, sob a direção de Herculano de Araujo Annes O Nacional inicia sua trajetória ímpar.
Mucio Martins de Castro, então adolescente com 16 anos de idade, em 1931, entra na redação e pede emprego. Esse dia marca o início de sua brilhante carreira na empresa: primeiro como entregador do jornal e depois como chefe da expedição.
Sua vocação para o jornalismo chama atenção da Família Annes e aos 18 anos passa a redator, logo a chefe de redação e diretor e, em 1939, se torna proprietário. Um jornal que, sob seu comando, se posicionou entre os mais respeitados do interior gaúcho até sua morte prematura em 31 de agosto de 1981. Múcio teve atuação destacada no processo que modificou o eixo da ação dos veículos de comunicação local que deixam de ser porta-voz de uma determinada visão de mundo e passam exercer o que foi chamado de imprensa empresarial.
O jornalismo, a partir de 1940, vai deixando de informar com viés ideológico, partidário, político e até mesmo religioso e vai registrando os fatos do cotidiano das comunidades da maneira que desempenham os jornais, rádios, televisão, revistas deste terceiro milênio, ou seja, de modo isento, desapaixonado, objetivo.
Já sob o comando do Múcio de Castro Filho, Mucinho, O Nacional se tornou ainda mais aberto, democrático, plural, sem sectarismo, abrindo espaço para opiniões diferenciadas que sempre marcaram o ambiente intelectual de Passo Fundo.
Em suas páginas, com destaque, o que brotavam com efervescência como no caso de Passo Fundo era registrado: na economia, saúde, educação, cultura, na política, na polícia. As demandas que iam surgindo como decorrência natural de um município dinâmico e criativo, iam conseguindo grande espaço em suas páginas. Aqui é essencial destacar a fundação da Universidade de Passo Fundo que teve também na sede do ON encontros e acordos entre grupos divergentes para então consolidar a chegada desta instituição que foi determinante para o embalo econômico de nossa cidade, impulsionando com o conhecimento acadêmico os vários segmentos de atividades que aqui prosperavam.
Em sua trajetória O Nacional enfrentou períodos complexos, como os 20 anos da ditadura militar que inicia em 1964, trazendo inclusive dificuldades financeiras, mas a trajetória do jornalista foi sendo reconhecida de várias maneiras, como, por exemplo, a denominação do Teatro Municipal Mucio de Castro. Ele, ainda, dispensa tempo para política e cumpre
mandato de quatro anos como deputado estadual.
Ao colocar em destaque os 100 anos de circulação de O Nacional, é oportuno reiterar que Passo Fundo sempre teve postura especial quando falamos na nossa história sobre jornais, rádio e televisão.
Na prática a rotina diária de cada órgão de comunicação social, sempre buscando fazer o melhor, estimulava o concorrente a fazer o mesmo, ou seja, a evoluir, a inovar e a imprensa acaba por ter parcela de contribuição expressiva no processo que tornou Passo Fundo o polo do Norte do Rio Grande do Sul.
Viva ao O Nacional. Está ali nos seus arquivos a história diária de tudo o que aqui aconteceu. Aliás, ON não fez a história, ele é a história. Somos e seremos eternamente orgulhosos
e gratos pelo que fizeram; de modo a termos hoje esta metrópole que todos desfrutamos.
Assim, parabéns O Nacional!