Primeiro transplante de coração de Passo Fundo completa 35 anos
O pioneirismo e identificação de Passo Fundo com a prestação de serviços na área da saúde é algo que veio sendo construído ao longo dos anos. Mas se hoje a cidade ostenta o título de terceiro maior centro de saúde da região Sul do país, perdendo apenas para Porto Alegre e Curitiba, é graças ao trabalho desempenhado pelos profissionais da área ao longo de décadas.
É por isso que o mês de junho de 2025 é importante e especial. Foi no dia 15 de junho de 1990 que uma equipe de profissionais, composta pelos médicos Luiz Sérgio Fragomeni, Paulo Ceratti de Azambuja e Roque Paulo Torres Falleiro e o anestesiologista Cézar Lorenzini, realizaram o primeiro transplante de coração de Passo Fundo e do interior do estado do Rio Grande do Sul, no Hospital São Vicente de Paulo.
São 35 anos desse grande feito que, segundo Luiz Sérgio Fragomeni, médico cardiologista que liderou a equipe, comoveu a comunidade regional. Além da cirurgia ser inédita no interior, ela também foi pioneira por ter sido realizada no paciente mais jovem até então, na época com 14 anos de idade. “Era uma rapazinho de 14 anos, vamos dizer que não o primeiro, mas no interior do Brasil, sempre causam, e sendo coração, e a parte emocional e filosófica, isso sempre causa uma comoção, como certamente causou”, lembra o médico.
O paciente, Itamar de Souza, vinha de uma condição grave e já tinha passado por uma cirurgia cardíaca anterior, realizada aos nove anos de idade, em Porto Alegre. Porém, a condição cardíaca continuou se agravando, levando à necessidade de transplante. A preparação da equipe para a realização do transplante foi de cerca de seis. Sobre o dia da realização da cirurgia, dr. Sérgio conta que se lembra de vários detalhes, mas a lembrança que mais vêm à cabeça quando pensa naquela época é a relação de união entre o paciente e seus pais.
“A relação, a união deles, a confiança deles com o hospital, com os médicos: isso foi impressionante. E esse menino tinha a preocupação de que, interessante, ele queria saber se ele ganhando o coração de outro, se esse coração de outro amaria os pais dele como ele amava. É um negócio de arrepiar. Eu lembro perfeitamente de todas essas coisas. E o que eu mais achei interessante era a relação dos pais com o rapaz”, pontua.
Depois de algumas semanas de internação, Itamar recebeu alta e voltou para casa, próximo ao município de Ciríaco. Por vários meses viveu bem com o coração novo, mas em determinado momento precisou retornar ao hospital e, apesar de todo tratamento, acabou rejeitando o novo órgão.