Editorial do jornal Troca- Troca: Irresponsabilidade política gera instabilidade institucional
A instabilidade institucional é marcante em nossa trajetória política desde o governo provisório/ditadura imposta nos anos 30 por Getúlio Vargas. Adiante seguimos com altos e
baixos, com crises em cima de crises ao ponto de termos 10 presidentes entre 1945 e 1964 (quando vem novo Golpe Militar). Não demora e dois presidentes dos tempos modernos são tirados do poder: Collor e Dilma.
Hoje, como ontem, o fator que gera essa realidade perturbadora que tem grande peso negativo no processo desenvolvimentista nacional é a irresponsabilidade política. Na terça-feira, 11 de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) interrogou figuras que comandaram nossos destinos por 4 anos acusadas da tentativa de golpe de Estado
Como era esperado não faltaram cenas típicas de teatro durante o interrogatório e uma delas foi quando Bolsonaro pediu licença para o Ministro Alexandre de Moraes para fazer piada. Sem nada contra do ministro o ex-presidente afirmou: “gostaria de convidá-lo para ser meu vice em 2026”. Como explicar isso?
Negam com veemência a intenção de golpe o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-chefe do
Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno, o ex-ministro da defesa Paulo Sergio Nogueira de Oliveira e o general Walter Braga Netto, que foi vice chapa do ex-presidente.
Bolsonaro não gostou de ter perdido a eleição e disse em seu depoimento que “a decisão de não passar a faixa a Lula foi para evitar a maior vaia da história”. E que, sim “avaliou alternativas” em torno do resultado das urnas, mas que “em nenhum momento, eu, ministro da defesa ou comandante de força pensamos em fazer algo ao arrepio da lei ou da
nossa Constituição.”
Sobre mudar o resultado da eleição insistiu na linha da legalidade constitucional: “sobrou para a gente buscar uma alternativa na Constituição. Não foi discutido, foi conversado hipóteses de dispositivos constitucionais. Nada foi assinado”. Ou seja, nada foi feito porque não tem como dar um golpe de Estado dentro da Lei?
Ao enfatizar que “da minha parte, nunca se falou em golpe; golpe é abominável”, Bolsonaro, de modo surpreendente chamou de “malucos” os apoiadores dos atos de 8/1 que pediam intervenção militar. “Tem os malucos que ficam com essa ideia de AI-5, de intervenção militar. Os chefes das Forças Armadas jamais iam embarcar nessa”, disse.
Isso gerou tristeza até entre apoiadores, pois esses militantes se tornam pobres coitados, usados em acampamentos após serem insuflados por bolsonaristas. Quem deu respaldo para mostrar revolta e apoio popular, financiados por grupos e até de pessoas do governo, agora são atirados aos leões??? É dureza afirmam não poucos. E pior, estes já foram julgados e estão enjaulados.
Para diferentes analistas o desempenho do grupo no interrogatório colocou muitos em saia justa. O general Heleno, ao ser questionado por seu advogado a respeito de usar a Abin para produzir relatórios com informações falsas sobre urnas eletrônicas, disse: “De maneira nenhuma. Não havia clima”. Indagado se o comandante da Marinha, colocou as tropas à disposição do golpe, Bolsonaro disse: “Em hipótese alguma. Não tinha clima. Como interpretar isso? E as provas reais, testemunhais, gravadas, filmadas???
Os desdobramentos do processo serão acelerados. A prisão de Bolsonaro está prevista para outubro, segundo avaliação de advogados de réus sobre tentativa de golpe. A expectativa está baseada no andamento acelerado do processo no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, disse a jornalista Mônica Bergamo.
Para especialistas, o objetivo da defesa de sustentar que todas as ações de Bolsonaro ocorreram “dentro das quatro linhas da Constituição” não produzirá os efeitos que eles esperam apesar das encenações no interrogatório no STF.
O que traz de benefício para a população essa instabilidade política gerada pela irresponsabilidade política??