Skip to content

Geral

Projeto Brasil Sem Frestas enfrenta dificuldades com doações de caixas de leite mal higienizadas

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A idealizadora do projeto Brasil Sem Frestas em Passo Fundo, Maria Luísa Camozzato, alertou nesta sexta-feira (6) para a queda na qualidade das caixas de leite doadas para a iniciativa. Segundo ela, parte significativa do material recebido não pode ser aproveitada para o revestimento das casas devido à má higienização. “A gente está perdendo muita caixa porque ela está sendo mal lavada. Alguns não limpam, outras vêm com excesso de água dentro”, afirmou.

O Brasil Sem Frestas utiliza as caixas de leite para isolar residências e amenizar os efeitos do frio. Para que o material possa ser reaproveitado, é necessário que a caixa seja lavada com água limpa ao menos três vezes, com as quatro abas abertas e um pequeno corte feito na parte superior para facilitar o escoamento da água. “É importante não deixar excesso de água dentro da caixa e também retirar bem o leite, porque fermenta e contamina”, explicou Maria Luísa.

Ela informou que a lista de espera por atendimento está grande, especialmente com a chegada das baixas temperaturas, e que o projeto chegou a doar recentemente cerca de 7.200 caixinhas higienizadas para um grupo de Caxias do Sul. “Nosso foco é atender Passo Fundo, mas quando há excedente e outras regiões precisam, também colaboramos”, disse.

Além das caixas de leite, o projeto também está recebendo doações de alimentos. Maria Luísa relatou que, durante as visitas às residências para instalação das chapas, a equipe identifica famílias com necessidade de auxílio alimentar. “Se alguém quiser doar alimentos, a gente agradece. A situação está difícil e muita gente está precisando”, relatou. O contato para doações pode ser feito pelo telefone (54) 99128-3327.

Maria Luísa destacou que, embora a principal atuação do Brasil Sem Frestas seja o isolamento térmico de casas com chapas feitas a partir das caixas de leite, a demanda social enfrentada nas visitas domiciliares tem aumentado. As famílias atendidas pelo projeto relatam dificuldades não apenas com o frio, mas também com a alimentação básica. “Mesmo quando recebem a sacola de alimentos, ela é pequena, e a média das famílias é de cinco pessoas. Uma sacola dessas não dá para um mês”, afirmou. A equipe do projeto, segundo ela, avalia a situação de cada residência e entrega alimentos quando verifica necessidade, ainda que essa não seja a finalidade principal da iniciativa.

O trabalho do grupo é contínuo ao longo do ano, mas se intensifica nos meses de outono e inverno, quando as temperaturas mais baixas tornam o isolamento das casas ainda mais urgente. A idealizadora do projeto reforçou o pedido para que os moradores de Passo Fundo colaborem com a doação correta das caixas, seguindo as instruções de limpeza e secagem, para evitar o desperdício de material. “Se a caixa for limpa logo depois de usada, com cuidado, ela pode ser aproveitada. Se não, vai direto para a reciclagem e não serve para o projeto”, explicou. Ela também orientou que quem tiver doações prontas entre em contato por telefone ou informe o endereço para retirada.