Editorial Troca-Troca Uirapuru: Quanto mais enche, mais vaza
Há muitas décadas o déficit público domina a pauta de todos os governos, seja de esquerda, seja de direita e nada tem sido feito para conter esse processo deletério. Isso afeta a população mais pobre, agrava problemas sociais, afunda o país, pois os juros pagos (pelo governo) são bilionários e saem de verbas que poderiam resolver grande parte das necessidades emergenciais e de infraestrutura para Brasil crescer a níveis razoáveis.
Vem ano, vai ano a ladainha dos governantes se repete, sempre com a arrecadação cada vez maior com sacrifício gigante de empresas e trabalhadores assalariados que pagam no Imposto de Renda valores injustos, dificultando até competitividade com outros países que não possuem essa vexatória carga tributária.
Chega ser chatice nos ouvidos da população ouvir governantes sempre dizendo a mesma coisa, repetindo os mesmos erros e tratando diferentes gerações com menosprezo. As despesas obrigatórias, essenciais e que não tem como reduzir, pois são de lei, comem quase tudo da receita e não tem como mudar, pois, os “intéresses” de congresso e politiqueiros não permitem.
O Brasil não pode ser considerado país rico, mas quando se trata, por exemplo, da remuneração dos altos escalões do Executivo, do Judiciário e do Legislativo, disputamos taco a taco com os pais mais ricos do Planeta. Em Brasília, com longa lista de mordomias, nossos parlamentares ganham mais do que seus colegas do Japão, da Alemanha, do Canadá, da Espanha, do Reino Unido, da França. Os ministros do STF são top de linha mundial em remuneração… Em que lugar civilizado do mundo os deputados podem destinar dinheiro público de forma secreta para quem quiser, para quem bem entender?
O que poderia mudar esse quadro de irresponsabilidade política, de comprovado jogo desse balaio de partidos, seria gigantesca reforma administrativa com demissões e até extinções de órgãos de governo que só fomentam escusas negociações de bastidores e dão prejuízos. Podemos esperar isso?
Tem mais de 50 anos que o Brasil discute, planeja em colocar em prática projeto de reforma tributária, sério, consequente, objetivo, que beneficie o conjunto da população e aqueles que ainda investe, mas nada de sério, consequente foi posto em prática até hoje. A que foi aprovada, sob intensas críticas, só entre em vigor em 2033… E se ainda vigorar a atual visão tosca de planos pessoais e não Projetos de Estado nada mudará!
O que constamos é a velha engambelação, entra governo, sai governo e o real e puro interesse da estrutura administrativa nacional pelos brasileiros não existe. É zero. Então, óbvio, nada ocorre que fomente a mudança. Feudos políticos nojentos, hipócritas vão se sucedendo por 50, 60, por 70 anos, sempre voltados para o seu nicho, sua turma, seu bolso e a próxima eleição para se reeleger ou eleger o compadre.
É por isso que agora bateu esse desespero no governo que é obrigado a cumprir limite fiscal e no desespero vê como saída aumentar IOF, tributo que nem teria finalidade orçamentária direta, pois serve como expediente para regulações monetárias Banco Central, só para tapar o furo de hoje. Eis que logo ali o rombo será maior e bancaremos (empresas e cidadãos) mais esse gasto com zero de solução. Igual a vários outros governantes que repetiram mesma coisa com palavras diferentes. “Quanto mais enche, mais
vaza”.Tudo fica mirabolante. A teatralização da questão nos últimos dias entre Executivo e Legislativo, como se fosse questão nova nos leva a indagações incríveis! E aí, “Pelé”, vamos pedalar de novo? Vamos aumentar imposto outra vez? Até quando continuará essa engronha? Quando teremos maioria de políticos e representantes nossos com vergonha na cara?