Dor Crônica: não ser acreditado pelos outros traz mais sofrimento
A Uirapuru realiza semanalmente o programa Emoção, Afeto e Comportamento. Apresentado pelo psiquiatra Erico Hecktheuer, o programa aborda os mais diferentes assuntos relacionados à saúde e também ao comportamento. Cada edição traz um convidado especial que compartilha com os ouvintes sua sabedoria.
Na mais recente edição, o programa recebeu a Dra. Ana Squeff, neurologista e especialista em dor. O assunto foi a “dor crônica”, uma condição que acomete muitas pessoas e ainda é pouco falada.
A dor crônica é uma dor que dura muito tempo — geralmente mais de três meses — e continua mesmo depois que a causa inicial (como uma lesão ou cirurgia) já foi tratada ou curada. Ela pode ser constante ou intermitente, e muitas vezes afeta o sono, o humor e a qualidade de vida.
Diferente da dor comum, que serve como um aviso de que algo está errado (como no caso de queimaduras ou ferimentos), a dor crônica pode persistir sem uma razão clara. A médica explicou que essa condição faz com que o corpo permaneça “ligado no alarme”, mesmo quando não há mais perigo.
A Dra. Ana destacou que é preciso analisar o contexto para se chegar à causa da dor, que pode surgir por diferentes motivos. No entanto, ela relacionou a dor crônica ao tabu da depressão. Segundo a médica, na depressão, quem sofre frequentemente é desacreditado por pessoas próximas ou no ambiente de trabalho, sendo acusado de “inventar” a condição. Com a dor crônica, o fenômeno se repete, causando ainda mais sofrimento e dificuldades para quem convive com esse problema.
Ela frisou que a dor é algo individual e deve, sim, ser reconhecida e tratada de forma séria. Alertou também que há casos em que problemas maiores ocorrem simplesmente porque essa condição não teve o devido amparo médico, evoluindo para situações psicológicas mais graves. Por isso, ressaltou a importância do apoio das pessoas próximas diante desse quadro.