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Jornal TROCA-TROCA

Editorial do Jornal TROCA-TROCA: O que será dos nossos jovens?

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Recentemente esteve no Brasil palestrando, o escritor Jonathan Haidt, que aproveitou sua visita para divulgar seu mais recente livro, intitulado “A Geração Ansiosa”, que está no topo das listas das obras mais vendidas e lidas pela população norte-americana e europeia. O conteúdo desse livro já vem chamando atenção daqueles que são pais e professores no Brasil. Isso vem associado a Lei Federal que este ano proibiu que crianças e adolescentes possam acessar seus aparelhos celulares em horários de aula, inclusive durante os intervalos. Segundo especialistas, essa lei já vem apresentando resultados positivos no que diz respeito ao desempenho escolar e a socialização dessa geração escolar.

Porém, apenas a Lei e o cuidado nas escolas para coibir o uso de aparelhes eletrônicos não bastam para garantir a segurança e integridade física e mental dos nossos filhos, que fazem parte da chamada “geração Z”. O autor Jonathan Haidt, tanto na sua obra, como em suas palestras, faz um alerta bastante sério e grave ao demonstrar sua preocupação com o que vem ocorrendo. O alerta que ele faz, já vinha sendo falado por outros profissionais, principalmente psicólogos que se deparam com situações desesperadoras ao atenderem crianças e adolescentes viciados em telas e redes sociais.

Na introdução da obra “A Geração Ansiosa”, o autor faz um comparativo bastante interessante, quando ele questiona se você como pai ou mãe, permitiria que um filho entra 10 e 16 anos fosse levado para o planeta Marte, com a alegação que crianças tem mais condições de se adaptarem a uma nova atmosfera. Ideia interessante, mas que infelizmente, quem criou essa possibilidade não levou e não testou uma série de situações, como por exemplo a radioatividade, que poderia matar, ou na melhor das hipóteses mudar a estrutura óssea e o desenvolvimento biológico dessas crianças.

Diante disso, você autorizaria seu filho a fazer essa viagem, com grandes possibilidades de não retornar mais a Terra? Provavelmente a resposta de pais preocupados seria um NÃO. Porém, voltando para a realidade, nós adultos estamos dizendo SIM, quando passivamente aceitamos o fato de presentear um filho menor de 16 anos com um celular que já vicia nossas crianças a partir dos 2 anos de idade. Aceitamos isso, em troca de podermos ficar tranquilos na sala de casa fazendo aquilo que eu gosto, enquanto meu filho está quieto e em silêncio usando uma rede social através da tela de um celular. O malefício que isso vem causando em nossas crianças, são tão, ou talvez até mais sérios que enfrentar a gravidade de um outro planeta. Mas continuamos aceitando e nos calando.

Pesquisas recentes já comprovaram que o excesso de telas tem causado problemas de visão, deficiência no aprendizado, analfabetismo funcional, obesidade, isolamento, depressão, mutilações, tendências suicidas e riscos de sofrerem violências digitais cometidas por hackers e adultos maliciosos e pedófilos. Tudo o que foi relatado nessas pesquisas, não estão longe de nós, muito pelo contrário, as vezes isso ocorre na residência de um vizinho e muitas vezes dentro das nossas próprias casas, porém, estamos cegos diante desses riscos provocados pelo mau uso das telas e redes sociais.

Não estamos longe dessa tragédia. Recentemente, um pai, através dos microfones da Rádio Uirapuru, relatou desesperado que sua filha participava de grupos de automutilação online. Print de conversas, mostram que um adolescente suspeito de crimes na internet, ameaçava e induzia a vítima à automutilação. Esse grupo de criminosos online, da qual a adolescente fazia parte, é investigado por promover perseguições, ameaças, automutilação, compartilhamento de materiais de abuso sexual infantil, invasão de sistemas e apologia ao nazismo. Esse grupo, que gerou uma megaoperação policial, está esparramado por 12 estados. O chefe do grupo é um jovem de 15 anos, que já havia sido alvo em outras duas operações. Os alvos desse grupo eram meninas que vinham sendo ameaças e tendo suas imagens espalhadas pela internet.

Pois é, pais e mães de jovens, adolescentes e crianças. Esse tipo de crime não está longe de nós. Muitas vezes está dentro de nossas casas e ao aceitarmos que nossos filhos fiquem de forma exagerada atrás de uma tela, estamos incentivando os malefícios pelos quais nossos filhos estão passando e em certas situações de forma irreversível. Não apenas liguem o sinal de alerta caros pais, mas passem de fato para uma ação de restringir esse uso exagerado e descontrolado. Se os resultados nas escolas estão sendo positivos, significa dizer que esses mesmos resultados podem ser obtidos em seus próprios lares, pois qualquer esforço gerado pelo amor e carinho que temos pelos nossos filhos, acaba sendo pouco perto dos prejuízos trágicos que serão evitados.