Bebês Reborns: polêmica fabricada na Internet levou a projetos de lei infundados e debates distorcidos sobre saúde mental
A polêmica envolvendo os bebês reborns – bonecas hiper-realistas que imitam bebês de verdade – viralizou nas redes sociais, mas não passa de uma encenação para gerar engajamento e monetização de influenciadores digitais. A narrativa de que mulheres estariam usando essas bonecas como “filhos” foi desmentida, inclusive pela própria influenciadora de Santa Catarina que encenou levar uma boneca para fazer vacina, ao admitir que se tratava apenas de uma brincadeira.
Apesar disso, o assunto ganhou proporções absurdas: pessoas passaram a discutir o tema como se fosse um grave problema de saúde pública, e políticos em todo o país apresentaram mais de 20 projetos de lei tentando proibir o atendimento de bebês reborns pelo SUS. Tudo baseado em uma mentira.
O psiquiatra Rogério Riffel, convidado do programa Sem Segredo, destacou que não há evidências de que essa prática represente um risco à saúde mental. “Patologizar quem coleciona bonecos é um erro. Situações patológicas existem, mas são exceções, não a regra”, afirmou. Ele ainda reforçou que brincar e colecionar são atividades comuns e saudáveis, inclusive para adultos. O médico recomenda que as pessoas prestem atenção no que recebem como verdade nas suas redes e se isso estiver lhe fazendo mal, simplesmente pare de olhar:
A advogada especialista em direito de família Analuisa de Freitas também esclareceu: não há qualquer possibilidade de a Justiça brasileira tratar bebês reborns em disputas de guarda, pois o tema simplesmente “não existe” no âmbito legal. Ela também critica a atitude de legisladores que, se aproveitando da polêmica, tomam a iniciativa de fazer projetos com base em fake news, ao invés de se preocuparem com os reais problemas da sociedade:
Para o psicólogo e professor da Atitus, o caso expõe a urgência de regulamentar as redes sociais, onde informações falsas se espalham rapidamente, gerando consequências reais – como leis desnecessárias e pânico moral. No fim, a polêmica dos bebês reborns mostrou como uma mentira pode se tornar “verdade” quando viraliza, alimentando uma preocupação que não condiz com a realidade coletiva e até interferindo na política.