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Nas Entrelinhas: Brasil vira alvo de esquema de espionagem internacional com agentes russos usando identidade falsa

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

No comentário “Nas Entrelinhas” desta sexta-feira (23), na Rádio Uirapuru, o comentarista Mauro Vinícius de Moraes abordou um caso digno de filme: a descoberta de um esquema internacional de espionagem, em que agentes secretos da Rússia usavam identidades brasileiras para circular com liberdade pelo mundo.

Segundo investigação da Polícia Federal, pelo menos nove espiões russos adotaram nomes e profissões fictícias no Brasil, chegando a abrir empresas, criar vínculos sociais e obter documentação legítima como passaportes, títulos de eleitor e certificados militares. A estratégia consistia em viver como cidadãos comuns no país e, a partir disso, partir em missões internacionais sem levantar suspeitas.

O alerta inicial veio da CIA, após um dos agentes, Sergey Cherkasov, tentar se infiltrar no Tribunal Penal Internacional, na Holanda, usando identidade brasileira. A partir disso, descobriu-se a operação secreta. Apesar de todos os documentos serem autênticos, o conteúdo era falso – um exemplo de falsidade ideológica. O único documento falsificado inicialmente era a certidão de nascimento, suficiente para abrir caminho para todos os demais.

De acordo com o comentarista, o Brasil foi escolhido como base por sua diversidade étnica e facilidade de miscigenação, o que torna mais difícil suspeitar da origem de seus cidadãos. Além disso, o passaporte brasileiro está entre os mais seguros do mundo e o país possui acesso facilitado a diversas nações, por conta de tratados internacionais, o que atraiu o interesse da elite da espionagem russa.

Atualmente, apenas um dos agentes está preso, em Brasília, à disposição das autoridades. Os demais conseguiram fugir. No Brasil, o crime cometido se restringe à falsidade ideológica, já que os envolvidos não praticavam atos ilegais no território nacional.

Segundo Mauro Vinícius, o caso revela não apenas o grau de sofisticação das operações de espionagem, mas também fragilidades no sistema de documentação do país, que permitiram a criação de identidades falsas com base em certidões de nascimento forjadas.

Ouça o comentário na íntegra: