“Educação de qualidade é caminho para elevar o IDEB e transformar a sociedade”, afirma promotor regional
Em meio a um cenário de baixa procura pela carreira docente e preocupações com a qualidade da educação básica, a Universidade de Passo Fundo (UPF) realiza, de 20 a 22 de maio, a Semana da Pedagogia. O evento reúne especialistas, educadores e autoridades para debater o papel do pedagogo, os desafios da formação docente e os caminhos para fortalecer a educação pública.
Segundo a coordenadora do curso de Pedagogia da UPF, professora Rosimares Esquinsani, o país vive o que já se denomina como um “apagão docente”. “Hoje, temos nove profissionais se aposentando para cada um que ingressa no mercado de trabalho”, afirmou. Apesar disso, Rosimares destacou que o curso de pedagogia mantém alta taxa de empregabilidade, o que pode atrair os jovens. “É um curso com empregabilidade de 100%, além de uma ampla área de atuação”, explicou.
O pedagogo, além da atuação em sala de aula, pode trabalhar em gestão escolar, centros de formação de condutores (CFCs), unidades prisionais, hospitais, Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e outros espaços de educação não formal. “O pedagogo é o profissional responsável por educar toda uma geração. Ele atua desde a infância até a educação ao longo da vida, sempre com foco na humanização e na cidadania”, enfatizou a coordenadora.
Durante a abertura da Semana da Pedagogia, o promotor regional de Educação, Júlio Francisco Ballardin, reforçou a importância da valorização do profissional da educação e a atuação do Ministério Público para garantir o acesso pleno ao ensino. Com sede em Passo Fundo, a promotoria atende 147 municípios. “Nosso papel é assegurar que a educação chegue a todos, com estrutura física adequada, professores qualificados e serviços básicos garantidos. Uma educação de qualidade impacta diretamente no IDEB, e um IDEB elevado é reflexo de uma sociedade melhor”, pontuou.
A fala do promotor se conecta aos dados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), divulgados pelo Ministério da Educação. Em 2023, o IDEB dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental na rede pública foi de 5,7 — o mesmo patamar de 2019, antes da pandemia. Embora as taxas de aprovação tenham melhorado, as notas padronizadas que medem a aprendizagem seguem abaixo dos níveis anteriores. Isso demonstra a persistência dos desafios na qualidade do aprendizado e reforça a necessidade de atuação firme de órgãos como o Ministério Público na fiscalização e cobrança de políticas educacionais eficazes.
Para o promotor, é essencial cobrar dos entes públicos — municipais e estaduais — investimentos contínuos em infraestrutura escolar, planos de prevenção, formação adequada dos professores e cumprimento das obrigações educacionais. “Garantir uma educação integral é um direito básico da população e um dever do Estado. Investir na formação docente é investir no futuro do país,” destaca.