Confira o editorial do Jornal TROCA-TROCA desta sexta-feira (16): Vivemos um novo normal ou uma nova e preocupante realidade?
Desde os povos das cavernas o novo, o moderno, o contemporâneo, a mudança, integram a rotina da trajetória da humanidade sobre o planeta terra.
Fatos rotineiros da vida cotidiana deste terceiro milênio de altíssima tecnologia afetam o comportamento das pessoas. E tem provocado muitas reflexões e preocupações e a busca de respostas se tornou desafio para estudiosos.
Um fato inescapável é que em cada período histórico precisamos lidar com o novo e o que é saudável; mesmo que surpreenda, e, com aquilo que chega trazendo malefícios por não contribuir para a formação individual e coletiva do ser humano.
Até porque incontáveis posturas e conceitos são imutáveis: hoje, como ontem os exemplos arrastam… para o bem ou para o mal
Nesse sentido, por que tolerar músicas bagaceiras, de baixo nível que proliferam pregando violência, libertinagem desvairada e até drogadição entre as pessoas e na sociedade? Como não reagir diante de expressões musicais que fazem apologia à grosseria e ainda tratam a mulher como objeto?
Isso é um novo normal ou, infelizmente, só desvirtuamento da moral? (Tendo a moral como o conjunto de valores, individuais ou coletivos, universalmente considerados norteadores das relações sociais e da conduta dos seres humanos).
Precisamos tolerar sem reagir o que atropela os valores morais?
Sim os hábitos mudaram, mas no que músicas imorais e de mau gosto contribuem para o deleite das pessoas de mais idade e para a formação e prazer para quem se acha jovem? Ressalta-se: são as mesmas sete notas musicais que fazem algo divino ou maléfico…
O que nos cerca hoje?
Nesta nova realidade que a tecnologia (ah, a tecnologia, sempre ela!) nos ofertou estão o celular, o tablet, o fone de ouvido, o videogame, o tik tok e outras redes sociais que, sem força de expressão geraram um mundo novo.
As redes sociais, por exemplo, parecem território de guerra. Se transformaram em campo de batalha ao disseminarem informações falsas, mentirosas, discursos de ódio alimentando a polarização maléfica, impactando negativamente o debate público e formação de opiniões maduras sobre os desafios que temos pela frente. A desinformação já demonstra ter força expressiva para influenciar a opinião pública a ponto de uma mensagem desta ter milhões de “views” (visualizações) a mais do que uma verdadeira, mesmo o indivíduo sabendo ser mentira. Parece que esse não quer saber da verdade e que a mentira é que o atrai. Daí é um passo para gerar conflitos sociais de toda a ordem. Diante disso, fica evidente uma simpatia, desejo pelo anarquismo onde o normal é a contravenção.
Praticar esporte para que? E se é para jogar, a maioria dos jovens prefere o via celular e nos sites de apostas! Percebe-se que as boates, as baladas e até o sexo oposto pouco atrai.
Outro detalhe: jovens não querem mais carro, preferem os aplicativos. Quem imaginou que isso aconteceria? Não faz muito um jovem explicou a motivação para isso: sem carro não precisa pagar IPVA, seguro, gasolina, lavagem, estacionamento, manutenção, garagem… Não anseiam mais sequer ter a carteira de motorista (informação de CFC) que sempre foi algo muito cobiçado principalmente pelos meninos.
E não poucos deles nem de ônibus querem andar. Em regra, o transporte coletivo urbano não consegue atender novas exigências e a busca por alternativas cresceu. Nesse contexto cada vez mais complexo e difícil os especialistas listam questões que podem afetar intensamente o amanhã. Destacamos 4 dessas análises: 1) o jovem de agora acha que sabe tudo e por isso acredita que pode fazer tudo; 2) o jovem de hoje não sabe lidar com a liberdade que tem e nem com a quantidade de informações que recebe; 3) parcela significativa dos pais de hoje trabalham e não conseguem intervir como deviam na educação dos filhos; 3) a escola de hoje não tem mais o poder de educar de antes, até porque qualquer ato diferenciado com aluno pode gerar processos de familiares…
Afinal, nesta conjuntura atual, o que é um novo normal? Temos que deixar que tudo siga desse modo ou podemos intervir de alguma maneira? Quem interveria? E o que faria? Ou se deixaria tudo ir até o fundo desse poço para ver o que tem lá??? Diante da realidade e das dúvidas cabe pergunta: que adultos serão no amanhã?