Mostra em Passo Fundo propõe reflexão crítica sobre a abolição da escravatura
A Prefeitura de Passo Fundo, por meio da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial, promove a exposição O Amargo do Dia Seguinte, que será aberta nesta quarta-feira (14), às 19h, na Galeria Estação da Arte, no Parque da Gare. A mostra propõe uma reflexão crítica sobre os 137 anos que se seguiram à abolição da escravatura no Brasil, com foco no apagamento histórico, no racismo estrutural e na luta contínua da população negra por direitos e reconhecimento.
Segundo a coordenadora Mara Cavalheiro, o objetivo da exposição é “contar a história que a história não conta”. Para ela, é fundamental que a sociedade compreenda que a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, não significou liberdade plena. “Como os livros de história não contam o que aconteceu depois da assinatura da Lei Áurea, essa exposição vem para esclarecer um pouco, para dar um pouco de ciência à nossa população do porquê que os negros até hoje lutam por essa igualdade”, afirmou.
A exposição foi pensada como um ato de denúncia e memória. Mara explica que a escolha pelo dia 14 de maio como data de abertura não é por acaso. “Dia 13 não temos motivo algum para comemorar. Foi assinada uma lei, mas acabou esquecendo o principal, que era a criação de políticas públicas para inserir a comunidade negra de forma justa na sociedade”, criticou.
Ela ressalta ainda que a abolição foi marcada por um processo de exclusão, no qual a população negra foi deixada à própria sorte. “A partir do momento que os negros foram largados na Rua da Amargura, com uma mão na frente e a outra atrás, sem casa, sem roupa, sem comida, sem condições nenhuma de sobrevivência, a gente sobreviveu porque tivemos o antepassado dos fortíssimos, os nossos ancestrais fortíssimos que nos trouxeram até aqui”, disse.
Durante a abertura, haverá a performance A história que a história não conta, uma contação que simboliza o propósito da exposição: dar visibilidade às vozes historicamente silenciadas. “Vai ser um prazer enorme poder contar e mostrar essa exposição para toda a comunidade”, destacou a coordenadora.
A mostra reúne um acervo com imagens, registros e narrativas que retratam a realidade vivida pelos negros antes e depois da abolição. “São fotos fortes, que contam realmente a história, como os negros eram tratados, o trabalho deles nas lavouras, o trabalho escravo, a forma como eram castigados com correntes, troncos”, detalhou.
A visitação à exposição é gratuita e estará aberta ao público até o dia 25 de maio. A Galeria Estação da Arte funciona de quinta a domingo, das 16h às 19h. No dia 22 de maio, haverá uma programação especial com a presença de escolas. Professores interessados podem agendar visitas entrando em contato diretamente com a galeria.
A coordenadora reforça o convite à população. “Eu não quero só ver negros, eu quero ver a nossa comunidade, pessoas brancas, para que também conheçam a nossa história e para que entendam a importância do povo negro na formação da cultura popular brasileira”, pontuou.
A iniciativa integra o conjunto de ações da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial, que atua na valorização da cultura afro-brasileira, no enfrentamento ao racismo e na promoção do protagonismo negro em Passo Fundo.