Cotações e Mercado: Cenário climático positivo contrasta com recuo nos preços de grãos, dizem especialistas
O programa Cotações e Mercado, da Rádio Uirapuru, apresentado por Jair Ineri neste domingo (5), destacou as condições climáticas e os impactos no mercado agrícola na última semana, com análises de especialistas e relatos de produtores.
Clima ameno e previsão de chuvas
Segundo o comentarista Eugênio Tonial, o frio típico de maio ainda não chegou à região e deve se atrasar até o início de junho. “Vamos ter temperaturas abaixo de dez graus de novo só no início de junho agora. Ele vai ficar em temperatura agradável, entre quatorze e quinze a vinte graus”, afirmou.
A previsão do tempo indica estabilidade até terça-feira (7), com o retorno das chuvas a partir de quarta. “Na quarta-feira choveria treze ponto nove milímetros, na quinta limpa, na sexta chove oito ponto oito. No domingo à noite, dia onze, chove dezessete ponto quatro”, detalhou Tonial. A partir do dia 15, o tempo tende a firmar por cerca de nove dias consecutivos, mantendo temperaturas mais amenas e estáveis.
Essas condições climáticas, de forma geral, têm favorecido as lavouras em várias regiões do país. Em participação por telefone, diretamente de Minas Gerais, o produtor Luciano Remor relatou uma viagem por lavouras no Sudeste e Centro-Oeste. “Passamos por São Paulo, vimos cada lavoura de milho, coisa mais linda”, disse. Segundo ele, as plantações estão bem desenvolvidas. “O milho está verde de cima embaixo. Também vimos algumas áreas de soja em Minas Gerais que ainda estão para ser colhidas.”
Mercado de grãos em baixa
Se o clima tem sido positivo para o campo, o mercado de grãos, por outro lado, vive um momento de retração. O analista Mário Klein destacou que os últimos vinte dias foram marcados por quedas expressivas no preço da soja. No início de abril, a saca chegou a R$ 130, mas na última sexta-feira (3), algumas cooperativas estavam pagando R$ 119 — e, em alguns locais, menos de R$ 120. “Infelizmente, para o produtor que precisa fazer caixa para o mês de maio, o cenário não é dos melhores”, avaliou.
A retração não se deve apenas ao fim da colheita e à menor disputa pelo grão, segundo Klein. Fatores externos, como a disputa comercial entre Estados Unidos e China, também influenciam. Ainda assim, ele vê uma possível reversão no segundo semestre. “Poderemos ter uma disputa pelo grão no segundo semestre, entre o mercado interno e a exportação, em continuando a China procurando mais soja aqui do que em outras fontes.”
O milho segue a mesma tendência. Com boas expectativas para a segunda safra brasileira e o avanço do plantio nos Estados Unidos, a previsão é de oferta robusta — o que pressiona os preços. “Tivemos praticamente em todas as regiões uma queda no preço do milho durante a semana”, observou Klein.
Trigo também sofre impactos externos
No caso do trigo, os preços recuaram ao patamar de agosto de 2024, refletindo incertezas no cenário internacional. Klein destacou o impacto da guerra na região do Leste Europeu, especialmente na Ucrânia, onde a projeção é de que a próxima safra seja a menor em treze anos. “Isso poderá ter algum impacto no mercado internacional”, comentou.
Para o Brasil, no entanto, a atenção está voltada à Argentina, principal fornecedora do cereal ao país. No mercado interno, os preços ainda podem subir com a redução da oferta, mas a valorização do real frente ao dólar tem barateado o trigo importado, dificultando uma recuperação de preços.