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Ponto e Contraponto: Começa o jogo para 2026

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

A pouco mais de um ano das eleições de 2026, as movimentações partidárias indicam uma corrida por espaço no Congresso Nacional e no eleitorado, mas a falta de unidade programática e lideranças nacionais expõe a fragilidade do campo centro-direita. Enquanto a esquerda mantém coesão em torno de Lula, o centro-direita parece optar por táticas de curto prazo (federações para ganhar recursos) sem um projeto claro de longo prazo. A eleição pode ser decidida pela capacidade (ou não) desses partidos de convergir em torno de uma plataforma e um nome viável.

Estratégias

A federação entre PP e União Brasil cria a maior bancada da Câmara (107 deputados), o que fortalece o centro-direita em termos de articulação legislativa e possíveis alianças eleitorais. Essa união visa ampliar influência tanto no Congresso quanto nas eleições presidenciais do próximo ano, garantindo mais recursos e tempo de TV. A possível fusão PSDB-Podemos (com potencial federação com MDB ou Republicanos) indica uma tentativa de reorganização do centro e centro-direita, que hoje carece de unidade. O PSDB, enfraquecido nos últimos anos, busca se reinventar, enquanto partidos como MDB e Republicanos mantêm relevância regional.

Fragmentação

A ausência de um líder da direita como Bolsonaro em 2022, sugere um vácuo de liderança no espectro conservador. Enquanto a esquerda se mobiliza em torno de Lula, a direita e o centro-direita parecem apostar em estratégias multipartidárias ou em figuras regionais. O governador Eduardo Leite é uma possibilidade tanto para a fusão do PSDB com o Podemos, como para o PSD, caso se confirme a filiação em 6 de maio. Só que para Gilberto Kassab, um dos principais articuladores políticos, o nome que vai unir o centro-direita se chama Tarcísio Freitas, praticamente descartando Eduardo Leite que se cacifa cada vez mais ao Senado.

Contraponto

A polarização Lula x Bolsonaro de 2022 pode não se repetir, mas Lula segue como âncora da esquerda. O desafio do centro-direita será construir uma alternativa que atraia tanto eleitores moderados quanto conservadores, sem repetir o bolsonarismo. A federação PP-União Brasil pode ser um contraponto à fragmentação, mas ainda falta um nome presidencial que unifique esse campo.

Espaço

A fusão PSDB-Podemos tenta ocupar esse espaço, mas o sucesso dependerá de sua capacidade de se diferenciar tanto da esquerda quanto da direita bolsonarista. O MDB, por exemplo, pode ser um aliado-chave por seu histórico de pragmatismo.

 

Pulverização

Se o centro-direita não consolidar uma estratégia única, a multiplicidade de siglas (PP, União, PSDB, Podemos, MDB, Republicanos) pode dividir votos e beneficiar Lula ou mesmo um eventual terceiro nome. A experiência de 2018 (quando vários candidatos de centro disputaram a eleição) serve de alerta.

Rápidas

  • Fusão PSDB-Podemos não vai mexer na posição dos atuais vereadores tucanos. Os três manterão apoio ao prefeito Pedro Almeida. O mesmo deve acontecer com Iriel Sachet, que hoje é oposição. Não deve mudar de lado. A menos que….
  • Essa fusão partidária também vai criar outra bancada de quatro vereadores, a exemplo do que vai ocorrer com a Federação entre PP e União Brasil, oficializada nesta terça-feira (29).
  • O presidente do UB em Passo Fundo, Patric Cavalcanti acompanhou o ato em Brasília: “Respeito o PP e acredito que juntos podemos construir uma força política influente em todo o país. Estou aberto ao diálogo para uma aliança forte, centrada na centro-direita, visando impactar positivamente o cenário nacional e regional. Passo Fundo pode se beneficiar dessa força política, e estou ansioso para colaborar na construção dessa federação”, disse.

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