Mais de 5 mil motoristas de aplicativo estão cadastrados em Passo Fundo, e a profissão cresce significativamente, avalia representante da categoria
A Uber começou a operar no Brasil em meados de 2014, na véspera da Copa do Mundo. Desde então, o número de pessoas que trabalham como motoristas de aplicativo vem aumentando significativamente. Atualmente, diversas plataformas foram criadas, sendo uma das mais presentes no cotidiano a 99. Segundo o último levantamento realizado pela empresa, são mais de 50 milhões de usuários no Brasil e cerca de 1,5 milhão de motoristas cadastrados.
Em Passo Fundo, essa realidade não é diferente. É comum ver pessoas utilizando aplicativos de mobilidade em vez dos transportes coletivos urbanos. Os motivos são diversos, como o conforto e o preço — que, em alguns casos, acaba sendo mais atrativo, já que o passageiro é deixado na porta do seu destino.
Durante entrevista à Rádio Uirapuru, o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativo de Passo Fundo (AMAPF), Alexandre Maias da Silva, destacou como é a rotina dessa profissão e como ela vem crescendo ao longo dos anos.
De acordo com Alexandre, é difícil estimar com precisão quantas pessoas atuam como motoristas no município, mas ele acredita que cerca de 5 mil estão cadastradas. Desse total, aproximadamente 20% trabalham exclusivamente com a atividade, enquanto o restante utiliza o aplicativo como uma forma de complementar a renda.
Entre os exemplos citados, há estudantes universitários e profissionais de outras áreas que ligam o aplicativo durante os intervalos como uma alternativa de renda extra. Alexandre comenta que atua como motorista há 10 anos e afirma que a rotina enfrenta diversas dificuldades, como a infraestrutura precária, o trânsito caótico, os altos custos de manutenção dos veículos e, em alguns casos, o valor defasado das corridas.
Apesar de todos os desafios, ele ressalta que a maioria dos motoristas busca levar o dia a dia de forma leve, como forma de preservar a saúde mental.
Sobre a remuneração, Silva destaca que os valores variam bastante e que, sem um bom controle financeiro, o motorista pode acabar se endividando, gerando um efeito “bola de neve”. Em algumas plataformas, a porcentagem repassada ao motorista é inferior a 60%, o que dificulta ainda mais a estabilidade financeira. No entanto, com planejamento, é possível manter uma vida financeira equilibrada.