Aumento da violência entre jovens reforça urgência de ações preventivas e de segurança, afirma promotor
Nesta semana, circularam pelas redes sociais e grupos de WhatsApp vídeos que mostram um grupo de adolescentes envolvidos em uma briga generalizada em um dos canteiros centrais da Avenida Brasil, no bairro Boqueirão. Nas imagens, é possível ver diversos jovens trocando agressões em plena luz do dia, sem demonstrar receio de serem vistos ou filmados. Além disso, outro episódio de violência chamou a atenção: em Caxias do Sul, estudantes do 7º ano esfaquearam uma professora. A docente sofreu diversas lesões, mas não corre risco de vida.
Esses acontecimentos trouxeram à tona a necessidade de discutir e implementar ações para reduzir a violência entre jovens e nos ambientes escolares. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o promotor do Ministério Público e professor de direito penal Álvaro Poglia destacou que a redução da criminalidade exige um trabalho conjunto de prevenção e repressão. Segundo Poglia, casos de violência sempre existiram, em maior ou menor grau, mesmo em países com baixos índices de criminalidade.
No Brasil, no entanto, a falta de investimentos em prevenção e educação, somada à desigualdade social e à defasagem escolar, tem contribuído para o crescimento da violência urbana e para a intensificação da sensação de insegurança nas ruas. Ele ressaltou que essa preocupação se reflete nos dados de uma pesquisa divulgada pelo instituto Quaest nesta quarta-feira (2), que aponta a violência como a maior preocupação dos brasileiros atualmente.
O promotor alertou que acreditar em soluções simplistas para a redução da criminalidade é um erro. Segundo ele, é necessário um conjunto de ações para transformar a realidade e diminuir a ocorrência desses casos. Poglia afirmou que políticas de prevenção, investimentos na educação e diminuição nas desigualdades sociais, aliadas a presença cada vez maior do Estado por meio da Brigada Militar nas ruas são algumas ações necessárias para a diminuição da criminalidade.
Apesar disso, Poglia afirmou que há um mito de que o simples endurecimento das penas pode, por si só, inibir a prática de crimes. Ele explicou que criminosos não costumam agir levando em consideração a severidade da punição, mas que a impunidade, sim, incentiva a criminalidade. Por isso, destacou que a certeza da punição é um fator essencial para desestimular atos violentos, pois faz com que o indivíduo pense duas vezes antes de cometer um crime.