Na contramão de relatório mundial, jovens de Passo Fundo se consideram felizes, apesar das dificuldades
Anualmente, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulga um relatório avaliando o índice de felicidade da população em diversos países ao redor do mundo. O estudo faz parte das comemorações do Dia Mundial da Felicidade, celebrado em 20 de março. Neste ano, o relatório apresentou dados preocupantes, marcando uma mudança significativa em relação às edições anteriores.
De acordo com os números mais recentes, a fase inicial da vida adulta é a que registra a menor sensação de bem-estar entre todas as faixas etárias. Historicamente, os jovens eram considerados os mais felizes na avaliação, mas esse cenário se inverteu. O relatório aponta que fatores como incertezas sobre o futuro, dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, problemas econômicos (como baixa renda e alto custo de bens de consumo, como moradia, veículos e viagens) e preocupações com as mudanças climáticas têm impactado negativamente a felicidade dos jovens.
Além disso, a pressão por padrões irreais de sucesso e beleza, o excesso de cobranças e o aumento de problemas de saúde mental também são aspectos que contribuem para essa realidade. Outro fator relevante é a sensação de solidão, causada pela substituição do contato presencial por interações virtuais, resultando em conexões mais superficiais e menor apoio emocional.
Diante desses dados, a Rádio Uirapuru decidiu investigar como os jovens de Passo Fundo enxergam essas questões. A reportagem foi às ruas e entrevistou jovens de 15 a 24 anos, perguntando se eles se consideram felizes e o que os desperta o sentimento de felicidade. Praticamente todos os entrevistados afirmaram que se consideram felizes. As razões para esse sentimento variaram, mas um ponto em comum foi destacado por todos: a proximidade com familiares e amigos.
Outros fatores que despertam felicidade, segundo os jovens, incluem realização acadêmica e profissional, seja por um bom desempenho nos estudos ou por um trabalho satisfatório. Já entre aqueles que disseram não se sentir felizes, a principal justificativa foi a rotina agitada e a falta de tempo para atividades de lazer. Enquanto o relatório mundial aponta uma tendência de declínio na felicidade dos jovens, os entrevistados de Passo Fundo mostram que a proximidade com pessoas queridas e pequenas conquistas diárias ainda são suficientes para manter um sentimento positivo de bem-estar.