Impactos no agro são cumulativos e atingem diretamente famílias gaúchas
O clima sempre foi o maior desafio para as atividades agrícolas. No entanto, os extremos climáticos dos últimos anos têm trazido impactos preocupantes na produção agrícola do Rio Grande do Sul. A recente tragédia climática de 2024 levou muitas vidas, sonhos e propriedades no Estado. Lavouras já plantadas foram destruídas pelo excesso de água, e o solo, em algumas regiões, poderá levar décadas para se regenerar. O excesso de chuva chegou após o Estado enfrentar uma sequência de seca, e agora, a ausência de chuva marca a próxima safra de soja.
O assunto foi tema do programa Emoção, Afeto e Comportamento na Uirapuru. Apresentado pelo psiquiatra Érico Hecktheuer, o programa contou com a participação de Fabiana Venzon, gestora estratégica de agronegócios da Cotrijal, e Marcelo Schwalbert, superintendente administrativo-financeiro da Cotrijal. Durante o programa, que normalmente debate situações do cotidiano, comportamentos e reflexões da sociedade, foi abordada a crise causada pela seca.
Fabiana explicou que as perdas nas lavouras não cessaram, pois a chuva ainda é escassa. As projeções iniciais de quebra na safra de soja estão aumentando e já chegam a quase 50%. A situação é acumulada, e nos últimos seis anos, mais de R$ 6 bilhões deixaram de circular no Estado devido à queda na produção. Fabiana alerta que essas perdas são cumulativas, enfraquecendo o produtor e, literalmente, enterrando dinheiro. Ela lembrou que, por trás desses números, estão as famílias produtoras. Não são apenas empresas que amargam prejuízos e dívidas, mas sim famílias que dependem diretamente da produtividade. Há sinais de que, após cinco anos de problemas, muitos produtores não terão condições de continuar na atividade.
Marcelo Schwalbert, superintendente administrativo-financeiro da Cotrijal, explicou que o produtor precisa consolidar todas as dívidas e ter à sua disposição um prazo de 10 a 20 anos com juros diferenciados, recomeçando do zero. Taxas altas não cabem no orçamento, e o produtor não conseguirá seguir dessa forma, avaliou.