Câncer de Ovário é o quinto mais comum entre as mulheres
Os ovários são duas glândulas responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos, progesterona e estrogênio. Eles têm, também, a função de produzir e armazenar os óvulos, que são liberados, a cada mês e recolhidos pelas tubas uterinas, enquanto durar a vida reprodutiva da mulher. Essas duas glândulas precisam de atenção, pois doenças como o câncer de ovário, câncer ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o mais letal, é o quinto mais comum entre as mulheres.
Sua incidência está aumentando a cada dia e está associada a fatores genéticos, hormonais e ambientais. O oncologista do Instituto do Câncer Hospital São Vicente Dr. Nicolas Silva Lazaretti faz um alerta para a prevenção e diagnóstico da doença, já que o dia 08 de maio é lembrado como Dia Mundial do Câncer do Ovário, doença que pode acometer a mulher em qualquer idade, mas é mais frequente depois dos 40 anos.
Conforme o especialista a história familiar é o fator de risco isolado mais importante, cerca de 10% dos casos. “A mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, que também podem causar câncer de mama, estão amplamente correlacionados com os tumores malignos do ovário. As portadoras da mutação do primeiro gene apresentam 45% de possibilidade de desenvolver esse tipo de câncer durante a vida, as portadoras da segunda mutação têm 25%”, explica Lazaretti, pontuando que há uma relação entre câncer de ovário e atividade hormonal feminina. “Mulheres que não tiveram filhos nem nunca amamentaram, as que tiveram menopausa tardia ou câncer de mama, assim como as que têm parentes de primeiro grau com câncer de ovário apresentam risco mais elevado de desenvolver essa doença”, alerta.
A maioria das mulheres com câncer de ovário não apresenta sintomas até a doença atingir estágio avançado, por isso, o oncologista alerta que nesses casos, os sintomas mais característicos são dor e aumento do volume abdominal, constipação, alteração na função digestiva e massa abdominal palpável.
Em relação ao diagnóstico Lazaretti orienta que a medição do marcador tumoral sanguíneo CA 125, onde 80% das mulheres com câncer de ovário apresentam CA 125 elevado, e a ultrassonografia pélvica, são dois exames fundamentais para estabelecer o diagnóstico da doença. “A laparoscopia (cirurgia no abdômem) exploratória seguida de biópsia do tumor, além de úteis para confirmar o diagnóstico, permitem observar se há comprometimento de outras regiões e órgãos. Ainda, o Raio-X torácico, tomografia computadorizada, avaliação da função renal e hepática e exames hematológicos podem auxiliar no diagnóstico dos casos avançados”, destaca o oncologista, lembrando que se houver suspeita de tumor de ovário, a paciente deve ser submetida a uma avaliação cirúrgica.
Sobre o tratamento do câncer de ovário Lazaretti salienta que irá depender do estágio da doença. “No estágio inicial, é preciso realizar o estadiamento do tumor por meio de cirurgia e promover a remoção do útero e ovários. Em estágios avançados da doença, é possível aumentar a taxa de cura com a remoção agressiva de todos os tumores visíveis. Exceção feita às mulheres portadoras de câncer de ovário de baixo grau em estágio inicial, as pacientes devem ser submetidas à quimioterapia após ou, em menor número, antes da cirurgia. Elas podem contar com alguns regimes de quimioterapia disponíveis, que costumam oferecer taxas de diminuição do tumor de até 60%, 70%”.
Fique atenta!
* Consulte o ginecologista regularmente, já que o câncer de ovário pode não causar sintomas até atingir um estágio avançado;
* Controle o peso e evite alimentos gordurosos, pois há estudos que indicam uma relação entre obesidade, alto consumo de gordura e câncer de ovário;
* Faça exames clínicos e ultrassonografias com mais frequência, se tiver um parente de primeiro grau com história de câncer de ovário e/ou de mama;
* Respeite as datas dos retornos ao ginecologista, especialmente se você faz terapia de reposição hormonal; nesse caso, é maior o risco de a mulher desenvolver câncer de ovário;
* Passe por avaliação ginecológica regularmente, se você tem mais de 40 anos. As chances de cura são sempre melhores quando a doença é diagnosticada precocemente.