Dia Nacional do Artesão destaca desafios da categoria em Passo Fundo
Nesta quarta-feira (19), é celebrado o Dia Nacional do Artesão, data escolhida por ser o dia de São José, padroeiro dos artesãos. Em Passo Fundo, a categoria busca reconhecimento e melhores condições de trabalho, conforme relatado por Sandra Gonçalves Dias, uma das representantes da Setorial de Artesanato do município.
Segundo Sandra, a cidade conta com duas associações de artesãos. Uma delas realiza feiras itinerantes na frente da Catedral a cada quinze dias. “A outra é uma associação gaúcha de artesãos e artistas plásticos de Passo Fundo. A diferença é que tem esse nome ‘gaúcho’ no meio para diferenciar da outra”, explica.
A falta de um espaço fixo para exposição e venda dos produtos é uma das dificuldades enfrentadas pelos artesãos locais. “O que nos falta hoje, em Passo Fundo, na questão do artesanato, é que uma cidade com 200 mil habitantes ainda não tem uma casa do artesão”, afirma Sandra. A luta por esse espaço se estende há cerca de 20 anos, com projetos encaminhados ao poder público sem avanço significativo.
A Feira da Economia Solidária (Fresol) é um dos principais eventos para a categoria na cidade, realizada anualmente em novembro. “No último ano, tivemos 120 expositores, entre a agroindústria e artesãos, mas grande parte artesãos”, destaca Sandra. Além da Fresol, os artesãos podem expor seus produtos na frente da Catedral nos primeiros dez dias de cada mês, podendo se estender até o dia 15 em caso de condições climáticas adversas.
Para muitos, o artesanato ainda é uma fonte complementar de renda, mas a realidade tem mudado. “Depois da pandemia, já grande parte dos artesãos estão vivendo disso”, afirma Sandra. No entanto, a instabilidade financeira é um desafio, com variações na demanda conforme as datas comemorativas. “Tem aquele mês que não vai vender nada e aquele mês que vai vender lá em cima”, acrescenta.
O Natal é apontado como a melhor época do ano para as vendas. A partir de agosto, os artesãos começam a preparar seus produtos para atender a demanda da data. “Cada artesão tem a sua peculiaridade. Dependendo do produto, ele não pode ser feito com muita antecedência, pois pode perder a durabilidade”, explica Sandra.
Ela reforça a importância do reconhecimento do artesanato como uma profissão e destaca o valor dos produtos feitos à mão. “Você não está comprando qualquer produto. Você está dando preço ao carinho de uma pessoa que está ali fazendo um trabalho manual, com conhecimento muitas vezes passado de mãe para filho”, conclui Sandra.