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Desviar de quem é significa adoecer

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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Jung nos alerta: perder-se de si mesmo não é apenas um desenraizamento psicológico, mas uma enfermidade da alma. Adoece o corpo que carrega o peso das máscaras, adoecem os afetos que não encontram expressão genuína, adoece a psique quando o chamado interno é silenciado. Na teoria junguiana, o Self representa nossa totalidade psíquica, a verdade essencial que pulsa sob as camadas do ego condicionado.

Quando nos afastamos desse centro, sacrificamos nossa autenticidade em nome de uma adaptação forçada ao mundo externo. Esse conflito gera o que Jung chama de neurose, uma ruptura entre o que somos e o que fingimos ser. Freud, por sua vez, falava do mal-estar da civilização: a necessidade de reprimir desejos e impulsos para nos ajustarmos ao coletivo. Mas há um limite para essa repressão antes que o sintoma surja—no corpo, na mente, nos afetos.

O caminho de volta? Individuação. O processo de nos tornarmos quem verdadeiramente somos, sem medo de desapontar expectativas alheias. É um desvio das amarras para um reencontro com a própria essência. Porque toda doença da alma é, no fundo, um exílio de si. E toda cura, um regresso.

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