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Economia

Alta da Selic pode levar à recessão e frear consumo, alerta economista

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa Selic de 12,25% para 13,25% em janeiro e já sinalizou um novo aumento de mesma magnitude na reunião desta quarta-feira (19). O economista Julcemar Zilli explica que a principal justificativa para o aumento da taxa de juros é o comportamento da inflação, que segue em alta no país. Segundo ele, enquanto os preços continuarem subindo, o Banco Central deve manter uma política monetária contracionista para conter o consumo e reduzir a demanda.

O aumento da taxa Selic impacta diretamente diversos setores da economia. Com juros mais altos, empresas investem menos, reduzindo a oferta de trabalho e podendo aumentar o desemprego. A renda da população tende a cair, resultando em menor consumo, o que pode contribuir para a estabilização dos preços. A elevação dos juros também afeta o crédito ao consumidor, tornando financiamentos e compras parceladas mais onerosas, o que desestimula o consumo. Além disso, a aplicação financeira se torna mais atrativa, incentivando a poupança e reduzindo a circulação de dinheiro na economia.

O economista alerta para o risco de desaquecimento excessivo da economia, que pode levar a um cenário de estagflação, caracterizado por crescimento econômico estagnado com inflação elevada. Apesar do Produto Interno Bruto (PIB) ainda apresentar crescimento em alguns trimestres, o último período analisado já indicou estabilidade, o que pode ser um sinal de desaceleração econômica.

Sobre a possibilidade de redução da taxa de juros, Zilli avalia que não há expectativa de queda em 2025. A previsão é que a Selic atinja cerca de 15% ao ano, permanecendo elevada até que haja um controle efetivo da inflação. Mesmo se os índices de preços apresentarem queda nos próximos meses, a redução dos juros só deve ocorrer a partir do primeiro trimestre de 2026.

O impacto da política monetária na taxa de câmbio também foi abordado. Segundo o economista, a oscilação do dólar está relacionada à movimentação de investidores estrangeiros. Enquanto alguns retiram capital do país por incertezas internas, outros ingressam atraídos pelos altos juros, o que provoca volatilidade na taxa de câmbio. Assim, não há uma tendência definida de alta ou baixa do dólar, mas sim um comportamento instável influenciado pelo fluxo de capital externo.

O Banco Central segue monitorando a inflação como principal indicador para a definição da taxa de juros. Enquanto os preços continuarem elevados, a política de juros altos deve ser mantida como estratégia para conter o avanço inflacionário.