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Expodireto 2025

Especial Expodireto: Conab aponta que mais de 11% da produção nacional sai do solo gaúcho

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Mensalmente a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) monitora a produção agropecuária nacional, projetando a produção dos principais grãos e das demais atividades ligadas ao setor. Neste cenário, o Rio Grande do Sul tem grande representatividade. Conforme os dados da Companhia, o estado é responsável por fatia considerável da produção nacional de alimentos. “O Rio Grande do Sul é um grande produtor. O Rio Grande do Sul contribui, segundo previsões que a Conab faz, nessa safra 2025, com 11,3%, mais de 11% da produção nacional sai do solo gaúcho, uma previsão de safra 36,7 milhões de toneladas”, projeta o diretor-presidente da Conab, Edegar Pretto.

De acordo com ele, as primeiras projeções para 2025 apontavam que o estado poderia colher a grande safra agrícola da história. Entretanto, os episódios de estiagem têm feito com que as projeções sejam refeitas. “Ainda existe essa possibilidade, mas tivemos nesse momento uma retenção menor de chuvas. No momento mais agudo, especialmente da soja, quando precisava de umidade, precisava de chuva, que é o momento da floração, do preenchimento dos grãos, regiões que são produtoras de soja tiveram uma escassez de chuva que foi agravada por essas ondas intensas de calor. Mesmo assim, a projeção que a Conab faz é de uma grande safra para o Rio Grande do Sul”, destaca Pretto.

O diretor-presidente ressalta o importante papel no estado na produção de alimentos: “o Rio Grande do Sul, por exemplo, é responsável por 70% da produção de arroz do Brasil. A produção de milho, primeira safra, que é muito importante pro nosso consumo interno, o grande produtor de milho primeira safra está aqui na região Sul e o nosso estado faz parte dela também. Nas proteínas, o Rio Grande do Sul contribui muito com a produção brasileira, especialmente o frango e o suíno. Bovino também tem uma presença importante, mas especialmente os dois”, salienta.

Ele comenta ainda que o Brasil se encaminha para que neste ano atinja, de novo, uma grande produção de proteína, “já que 2024 foi o ápice, digamos assim, da nossa produção de proteínas, e o Rio Grande do Sul está diretamente ligado nesta ajuda que ele faz em nível nacional”. Além disso, o destaque vai também para o trigo. “Somos o maior produtor que trigo. Aliás, nós aproveitamos a grande safra colhida e aqui no estado do Rio Grande do Sul , o que mais produz, é onde o preço estava abaixo do mínimo. O governo federal disponibilizou pra Conab R$ 400 milhões para que nós pudéssemos comprar trigo. Nós começamos as compras, conseguimos comprar já as primeiras 10 mil toneladas. Fazia 11 anos que a Conab não tinha trigo nos seus estoques. Nós compramos, estamos armazenando lá em Ponta Grossa, no estado do Paraná, onde está localizada a grande unidade de armazenadora da Conab. O Rio Grande do Sul tem uma importância muito grande e é por isso que o governo federal está sempre muito atento para o campo agrícola gaúcho sobre as demandas que também são produzidas aqui”, comenta Pretto.

Potencial do estado

Além da produção de grãos, o RS também se destaca em outros setores do agronegócio. “A mecanização agrícola produzida no nosso estado é muito potente. É, inclusive, olhada por outros estados, em nível nacional, a capacidade de levar tecnologia no campo. O cooperativismo no Rio Grande do Sul é muito potente. O associativismo torna o RS ainda mais potente pela diversidade da produção que tem. Além da proteína, além dos principais grãos, da soja, do milho, do trigo, do arroz, que é uma excelência em nível nacional, nós temos, no RS, uma diversidade extraordinária na agricultura familiar. O RS sempre tem potencial para aumentar. A grande questão é que o estado vive uma vulnerabilidade climática. Nos últimos 3, 4 anos tivemos dificuldades climáticas ou por conta das secas, dos três anos consecutivos, e o ano passado, 2024, essa tragédia ambiental que marcou no mundo todo o que o nosso RS passou. Mas o nosso estado é muito forte, tem um povo valente, e, não por acaso, assim que deu possibilidade no tempo de botar semente na terra, o agricultor fez isso e nos avizinhamos para uma grande safra, expectativa de boa safra no RS”, avalia.

Garantia de preço mínimo

A Conab, segundo Pretto, é uma empresa 100% pública, do governo federal, presente em todos os estados do Brasil através das superintendências e “tem uma diversidade extraordinária de políticas públicas. É a terceira empresa mais capilar do governo federal. A Conab fica atrás da Caixa Econômica Federal e da Petrobras, em termos de formulação e implementação de políticas públicas”, comenta.

Dentre as principais políticas públicas de incentivo ao agro está a garantia de preço mínimo. “Nós executamos, por exemplo, uma política que é muito importante que é a política de garantia de preços mínimos, que é a possibilidade do governo Federal, via Conab, alcançar a mão aos agricultores, especialmente médios e de grande porte. Quando os preços no mercado estiverem abaixo do preço mínimo a Conab pode comprar. E é o que nós estamos fazendo. Já começamos em 2023, quando nós assumimos a Conab, aproveitamos uma supersafra de milho, especialmente na região Centro-oeste, onde o preço caiu abaixo do mínimo, que era de R$ 44, e naquele momento os produtores estavam vendendo milho a R$33. Nós compramos 361 mil toneladas de milho. Momentos como esse o produtor grande, médio, especialmente, sente a presença do governo federal via intervenção positiva que a Conab faz e fizemos um estoque de milho. No início do ano passado, começou a seca nos estados do Nordeste, conseguimos transportar esse milho da região Centro-oeste pro Nordeste. Quando lá os criadores pagavam até R$ 100 a saca, a Conab vendeu o milho estocado por R$ 60. Veja a importância da política do estoque mínimo e essa de garantir o preço mínimo para os agricultores, conforme o governo determina, pela importância fundamental que determinadas culturas têm”, argumenta.