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Saúde

Calor extremo e seus impactos na saúde são tema do Uirapuru Ecologia

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Com as altas temperaturas registradas no Rio Grande do Sul e a previsão de calor intenso para os próximos dias, especialistas reforçam a importância de cuidados especiais com a saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mudanças climáticas são uma das maiores preocupações do século XXI, impactando diretamente a qualidade de vida e o bem-estar da população.

No quadro Uirapuru Ecologia, o médico clínico Vicente Machado Abau, do Hospital de Clínicas, abordou os impactos do calor excessivo na saúde e as medidas de prevenção. Segundo ele, o aumento das temperaturas agrava problemas como desidratação, insolação e complicações em grupos de risco, incluindo idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Desidratação e riscos à saúde

Durante a entrevista, Abau destacou que a hidratação adequada é essencial, mesmo quando não há sensação de sede. A recomendação geral é consumir entre 30 e 40 ml de água por quilo de peso corporal diariamente. “Nos dias mais quentes, essa necessidade aumenta. O ideal é sempre ter uma garrafa de água por perto e manter-se hidratado. Em casos de desidratação leve, o soro caseiro é uma opção eficaz”, explicou o médico.

Pacientes obesos requerem atenção especial. “O paciente obeso, por ter uma superfície corporal maior e maior peso, demanda maior ingestão de água. Muitas vezes, especialmente no caso da obesidade mórbida, há dificuldade de mobilidade, o que reduz a ingestão de líquidos e pode levar à desidratação frequente”, alertou Abau. Além disso, a obesidade aumenta o risco de diabetes, doenças cardíacas e colesterol elevado, tornando a desidratação ainda mais perigosa.

Cuidados com o calor e a exposição ao sol

Outro ponto importante abordado na entrevista foi a escolha da vestimenta adequada para altas temperaturas. O ideal é utilizar roupas leves e claras, que permitam a transpiração e dissipem o calor. Para exposição direta ao sol, o uso de roupas com proteção UV, chapéus e bonés é recomendado. Além disso, a aplicação de panos úmidos no corpo pode ajudar a refrescar, especialmente para quem não tem acesso a ambientes climatizados.

“A desidratação é a principal preocupação em dias quentes. Os sintomas iniciais incluem boca seca, tontura e batimentos cardíacos acelerados. Em casos mais graves, pode haver turvação visual, desmaios e sonolência excessiva. Nestes casos, é fundamental buscar atendimento médico imediato”, destacou o especialista.

A exposição prolongada ao sol também pode resultar em insolação, caracterizada por febre, tontura, náuseas e batimentos cardíacos acelerados. Em casos extremos, a condição pode levar a problemas neurológicos e de coagulação. Para evitar complicações, o médico recomenda evitar o sol entre 10h e 16h, buscar sombra sempre que possível e utilizar protetor solar diariamente. “Até mesmo as luzes artificiais têm um certo grau de radiação ultravioleta, que pode prejudicar e envelhecer a pele. O protetor solar deve ser parte da nossa rotina”, reforçou Abau.

Grupos mais vulneráveis

Algumas pessoas são mais suscetíveis à desidratação e seus efeitos adversos. Entre os grupos de risco estão os idosos, crianças pequenas, gestantes e portadores de doenças crônicas, como doenças cardíacas, renais e neurológicas.

“Idosos e crianças nem sempre percebem a sede, por isso, precisam ser incentivados a beber água regularmente. Quem cuida de um idoso deve garantir que ele tenha acesso fácil a um copo d’água. O mesmo vale para crianças, que devem ser hidratadas frequentemente”, ressaltou o especialista.

Atividade física no calor exige precauções

A prática de atividades físicas também requer cuidados. Deve-se evitar exercícios sob o sol entre 10h e 16h, manter-se bem hidratado antes, durante e depois da atividade e lembrar que a quantidade de água ingerida para repor a perda da atividade física deve ser extra à recomendação diária. Pacientes com doenças crônicas devem seguir orientações médicas para manter a prática de exercícios de forma segura.

Aumento da demanda por atendimento médico

Durante os meses de verão, a procura por atendimento médico cresce devido a doenças gastrointestinais, como viroses e intoxicações alimentares. A combinação de calor excessivo e desidratação pode agravar quadros de infecções e doenças renais.

“Quem já tem uma doença crônica, como insuficiência renal, pode sofrer agravamento no calor intenso. O mesmo vale para doenças neurológicas, como Parkinson e Alzheimer. A desidratação pode levar a confusão mental e alterações na consciência, especialmente em idosos”, alertou Abau.