Crédito com subsídio de 80% estimula sucessão rural no RS
O governo do Rio Grande do Sul destinou um adicional de R$ 6,5 milhões ao Projeto de Jovens da Agricultura Familiar, vinculado ao Programa Agrofamília. A decisão foi tomada em reunião do Conselho do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper). O recurso vai contemplar cerca de 260 jovens que estavam na lista de suplentes do edital anterior.
O programa atende jovens entre 15 e 29 anos, oferecendo financiamentos entre R$ 10 mil e R$ 25 mil por meio do Feaper. O fundo também concede um bônus adimplência de 80%, incentivando a permanência dos jovens no meio rural. Na primeira etapa, foram aprovados 244 projetos voltados à aquisição de máquinas, equipamentos e insumos para cadeias agropecuárias da agricultura familiar. Atualmente, esses projetos estão em fase de elaboração e análise pela Emater/RS-Ascar e pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).
Além da liberação do novo recurso, o Conselho do Feaper aprovou medidas para simplificar a documentação exigida dos beneficiários. A decisão visa reduzir entraves burocráticos e facilitar o acesso dos agricultores familiares aos programas de financiamento.
O gerente do escritório regional da Emater/RS-Ascar, Gustavo Bonotto, destacou a importância do programa para a sucessão rural. “A primeira etapa desse programa teve sua seleção realizada ainda em 2024. Mais de 20 jovens do regional de Passo Fundo serão contemplados. A liberação para a elaboração dos projetos e submissão ocorreu no início deste ano”, disse. Ele ressaltou que o objetivo do programa é “permitir que o jovem desenvolva uma atividade, seja ela complementar à produção familiar ou um novo empreendimento, favorecendo a diversificação da renda”.
Segundo Bonotto, o programa demonstra um impacto positivo devido ao alto número de inscrições. “Este aditivo valoriza todos os inscritos e amplia as oportunidades para mais de duas centenas de jovens em todo o estado”, afirmou. Ele destacou que a Emater orienta os beneficiários na utilização do crédito. “Nosso papel é apoiar as comunidades, garantindo que os recursos sejam aplicados conforme o planejamento inicial, visando a sucessão rural”.
Ao analisar a permanência dos jovens no campo, Bonotto apontou desafios e oportunidades. “Nosso contexto regional apresenta um leque de possibilidades. Acesso à internet, proximidade dos centros urbanos e maior mobilidade criam um cenário diferente do passado, quando o êxodo rural era quase inevitável”, explicou. Ele citou algumas atividades que viabilizam a geração de renda sem comprometer a produção familiar. “Agroindústrias, cultivo de hortifrutigranjeiros e turismo rural são alternativas para que os jovens possam formar sua renda dentro da propriedade dos pais”, disse.
Bonotto também destacou a importância do crédito para viabilizar esses projetos. “Esse financiamento, com subsídio de até 80%, quando executado conforme planejado, se torna um instrumento essencial para estimular e dar condições concretas aos jovens desenvolverem suas atividades”, afirmou.
Com as novas medidas, o governo estadual busca fortalecer a agricultura familiar, promovendo condições para que os jovens permaneçam no campo e desenvolvam atividades sustentáveis.