Ponto e Contraponto: Entre a solução ambiental e a realidade de quem paga
Há um abismo entre o que é considerado uma solução ambiental e a realidade de quem arca com os custos dessas iniciativas. A Corsan/Aegea está em uma corrida contra o tempo para cumprir as exigências do novo Marco Legal do Saneamento, que estabelece a meta de atender 90% da população com coleta e tratamento de esgoto até 2033. A necessidade é urgente e o prazo está se aproximando. No entanto, obras de infraestrutura demandam investimentos significativos, e esses recursos não surgem por geração espontânea. Alguém precisa pagar a conta, e esse alguém, como já sabemos, somos nós, os cidadãos. Em Passo Fundo, a conta chegou — e bem cara — para muitos moradores, especialmente aqueles que vivem em vilas e bairros mais carentes, onde a infraestrutura de esgoto ainda não foi instalada. O tema ganhou destaque na Câmara de Vereadores nas últimas semanas, com gabinetes sendo “inundados” por reclamações de contas com valores três, quatro ou até cinco vezes maiores do que os habituais. A Corsan alega que está analisando caso a caso, já que há situações diversas: desde ligações clandestinas que resultaram em multas, até parcelamentos de contas anteriores somados à fatura atual, passando por falhas na medição ou casos em que a medição sequer foi realizada.
Explicações e ações
O assunto, que começou na Câmara, também envolveu o Executivo, responsável pela assinatura do adendo que garantiu à Corsan mais 30 anos de concessão após a privatização. O prefeito Pedro Almeida, acompanhado de vereadores da base, secretários e do representante da Corsan em Passo Fundo, Aldomir Santi, solicitou explicações sobre os valores excessivos das contas em uma audiência com a direção estadual da empresa. A resposta foi a mesma, com a informação de que a Corsan montará, a partir de segunda-feira, cinco pontos de atendimento ao público, um deles na Praça Marechal Floriano.
Defensoria Pública
Enquanto isso, a Defensora Pública Camila Ferrareze analisa, desde quarta-feira, documentos enviados pelas vereadoras Eva Valéria Lorenzato (PT), Marina Bernardes (PT) e Regina dos Santos (PDT), que solicitam a abertura de uma ação civil pública contra a Corsan/Aegea. A Defensoria deve definir até esta sexta-feira a estratégia a ser adotada.
Ministério Público
Por sua vez, o Promotor Cristiano Ledur informou que já há um inquérito civil em andamento desde o ano passado sobre o mesmo tema. O Ministério Público já ouviu a Corsan, que atribuiu o aumento das contas à substituição dos hidrômetros, que passaram a medir o consumo real. Ledur solicitou ao Procurador do Município, Govani Corralo, o resultado da reunião em Porto Alegre, e a Corsan pediu uma audiência com o MP para os próximos dias.
Mobilização popular
Do lado da população, associações de moradores e a Uampaf estão se mobilizando. Um grupo no WhatsApp foi criado para reunir pessoas que se sentem prejudicadas pelas altas faturas. Até o início da tarde de ontem, um dos grupos já contava com 300 membros, com capacidade para até 1.024 participantes.
Assessor político
Márcio Patussi, o mais novo integrante da Bancada do PL na Assembleia Legislativa, está assessorando os deputados na análise jurídica de projetos em tramitação no Parlamento Gaúcho. Ele passa a semana em Porto Alegre e retorna às sextas-feiras para dar aula.
2026 está chegando!
Uma possível composição para as eleições de 2026 já mobiliza o PL no Rio Grande do Sul. O deputado federal Rodrigo Zuko seria candidato a governador, ao lado da deputada estadual Silvana Covatti (PP) como vice. O deputado federal Giovani Cherini disputaria uma vaga ao Senado, enquanto sua esposa, Adriane Cerini, seria candidata a deputada federal. Patussi seria a dobradinha preferencial em mais de 30 municípios como candidato a deputado estadual.