Justiça manda restabelecer fornecimento de água para cliente que não pagou conta de mais de R$ 9 mil
Na semana passada a Rádio Uirapuru, através dos programas ao vivo e do jornal Troca Troca relatou a situação de uma senhora aposentada que mora numa casa pequena e teve o fornecimento de água interrompido por não ter tido condições financeiras de pagar uma conta de mais de R$ 9 mil. No caso dela, em dezembro de 2024 a conta veio com o valor de R$ 418. Já em janeiro, subiu para R$ 696,38. Entretanto, o maior susto foi com a conta que vence em fevereiro, que foi de mais de R$ 11 mil.
No último caso, ela procurou a empresa que concedeu um “desconto”, deixando a conta em R$ 9.494,72. Diante dos valores exorbitantes e bastante acima do que costumava pagar, a aposentada, por falta de recursos, não realizou os pagamentos e teve o fornecimento de água interrompido. A aposentada, com auxílio do escritório de advocacia do Dr. Flavio Algarve, buscou na Justiça o restabelecimento do serviço. Na tarde de quinta-feira a aposentada recebeu a notícia de que a Corsan/Aegea terá que retomar o fornecimento no prazo de 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 200, caso não cumpra a decisão.
De acordo com a filha da aposentada, a senhora de 65 anos ficou cerca de três semanas sem o fornecimento de água. Na tarde desta quinta, 13, enquanto conversava com a Rádio Uirapuru, ela relatou que um carro da empresa estava em frente a residência da mãe e a expectativa era de que restituíssem o serviço.
Durante os dias que ficou sem abastecimento, a aposentada precisava buscar água na casa da filha, que mora em frente, para as tarefas diárias. Para o banho, precisava pedir o banheiro da filha emprestado todos os dias. Além disso, para cada ação, fosse uma limpeza ou para lavar a louça, por exemplo, mãe e filha se revezavam com o balde na mão, a mãe buscando água na casa da filha. Ela também recebia ajuda dos vizinhos.
Conforme Flavio Algarve, advogado que atendeu a aposentada, no caso dela as contas de água vinham com valores de média de R$ 300 e pularam para o valor exorbitante de mais de R$ 9 mil. “Ela chegou a receber até uma conta de mais de R$ 11 mil. Ela foi até a empresa reclamar e eles, não se sabe que cálculo fizeram, baixaram para R$ 9 mil. Mas também continuou sendo um absurdo. E mais, o que é pior, diante do não pagamento das contas de R$ 600 e a de R$ 9 mil, houve o corte de fornecimento de água.
A cliente, humilde, até demorou um pouco para procurar um recurso e, quando nos procurou, reunimos imediatamente a documentação e entramos com a ação no Juizado Especial Cível da Comarca de Passo Fundo e hoje [quinta] houve concordância da magistrada com os nossos argumentos, entendendo que realmente que havia um visível descompasso com o perfil da economia paga e os demais que estavam sendo exigidos”, explica o advogado.
Ele ressaltou ainda que a magistrada determinou uma audiência, no mês de abril, entre a aposentada e a Corsan para que seja feita uma conversa, mediada pela Justiça. E se saiba a origem desses aumentos. A reclamação de valores exorbitantes nas contas, porém, não é um caso isolado e tem atingido diversas pessoas em Passo Fundo. Casos de aumento nos valores das contas, que dão um salto de um mês para outro, têm sido constantemente relatados. E não só através dos canais de comunicação da Rádio Uirapuru, mas também na Defensoria Pública, Ministério Público e Câmara de Vereadores.