Tumor cerebral é oitavo mais comum na região Sul
Os tumores cerebrais são caracterizados pelo crescimento desorganizado de células que levam à compressão e lesão de células normais do cérebro. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam 9.090 novos casos de tumores cerebrais no Brasil, representando a décima neoplasia mais frequente em homens e mulheres. Na região Sul, o tumor cerebral é o oitavo tipo de neoplasia mais comum. A oncologista do Instituto do Câncer Hospital São Vicente, Patricia Pacheco ressalta que as causas de tumores cerebrais ainda não são bem conhecidas, alertando que os fatores de risco identificados são história de tratamento com radioterapia no sistema nervoso no passado, e síndrome genéticas hereditárias.
Conforme Patricia, os tumores cerebrais são classificados como primário ou secundário, sendo que os primários iniciam no cérebro ou na coluna vertebral e raramente se espalham, enquanto os secundários são tumores encontrados no cérebro que começaram em outro lugar do corpo, como por exemplo, mama ou pulmões. “A maioria dos tumores cerebrais primários em adultos são gliomas, podendo ser classificados em astrocitomas e oligodendrogliomas. Os gliomas são classificados de I a IV de acordo com a rapidez com que se desenvolvem. Como regra geral, o tumor de menor grau é considerado menos agressivo, enquanto o de maior grau é o mais agressivo. Os tumores cerebrais secundários também são conhecidos como tumores cerebrais metastáticos, ou metástases cerebrais. Estes, são mais comuns do que os tumores cerebrais primários, sendo importante essa diferenciação porque eles não são tratados da mesma forma”, esclarece a especialista.
Em relação aos sinais e sintomas de tumores cerebrais, eles diferem de pessoa para pessoa e dependem da localização do tumor e do seu tamanho. Segundo Patricia, de modo geral, os tumores aumentam a pressão dentro do crânio, causando sintomas como dores de cabeça, náuseas, vômitos, tonturas, problemas de visão, audição e fala, dificuldade com o equilíbrio, sonolência e convulsões. “Para o diagnóstico é necessária uma avaliação dos sintomas e do exame clínico neurológico pelo médico, além de exames de imagem como tomografia e ressonância. A partir da suspeita, podem ser feitos mais exames para investigação de outras lesões e muitas vezes o diagnóstico será confirmado com uma análise no microscópio de um fragmento da lesão”.
O tratamento do tumor cerebral pode ser feito de diferentes formas, cirurgia, radioterapia e quimioterapia, sendo que, em muitos casos é feita a associação entre estas modalidades de tratamento. “Na maioria das vezes o manejo de tumores primários começa com a cirurgia. Dependendo do tamanho, local e tipo do tumor, pode ser realizada uma biópsia, remoção de um pedaço pequeno para análise, ou uma ressecção, remoção de grande parte do tumor. Após a cirurgia e a determinação do tipo de tumor, muitas vezes é recomendada a radioterapia”, destaca Patricia, concluindo que a quimioterapia pode ser utilizada isoladamente, em combinação com radioterapia ou após a radioterapia. Além disso, diferentes opções de quimioterapia estão disponíveis e o plano de tratamento dependerá de uma variedade de fatores.