Mãe de passo-fundense morta em Florianópolis faz desabafo na Uirapuru: responsável deve ficar preso para não matar outros
A justiça revogou o mandado de prisão expedido contra o empresário gaúcho Jeferson Bueno, acusado de atropelar três pessoas, matando a passo-fundense Cristiane Flores, em 31 de dezembro de 2016, em Florianópolis/SC.
O empresário, que é de Sapiranga, dirigia um veículo Chevrolet Camaro, quando perdeu o controle, subiu a calçada, atingindo Cristiane, seu marido Nilandre Lodi e um amigo. Com a colisão, Nilandre precisou amputar as duas pernas e hoje vive aos cuidados da família em Passo Fundo.
Passados praticamente seis meses do ocorrido, a Uirapuru, através do Repórter Claudionor Ramos, conversou na manhã de hoje (23) com a mãe da vítima Cristiane Flores, a senhora Elza Flores. Emocionada, ela contou ao vivo na Uirapuru o drama que a família vive desde o ocorrido.
Testemunha do fato, Elza Flores contou que todos estavam em casa, mas o casal e um amigo voltavam da empresa de som automotivo, na calçada, quando foram atingidos. Ela lembra que o barulho da colisão foi muito forte e todos saíram de casa para ver o ocorrido, quando se depararam com um cenário de destruição.
Elza rebateu as informações de que o empresário teria socorrido as vítimas, sendo que conforme ela, o motorista saiu do local, deixando o que sobrou do carro.
Dona Elza lembrou com tristeza que a filha fazia planos, horas antes do acidente, para voltarem a Passo Fundo em breve, já que em Santa Catarina estavam tentando juntar dinheiro para um imóvel e tratamento de um filho pequeno, que custa R$11 mil. Ela disse ainda que a colisão acabou com três famílias: a dela, a de sua filha e a do amigo, que ainda está se recuperando. Depois da noite em que sua filha morreu, vítima do atropelamento, ninguém procurou a ela para auxiliar, nem a seu genro.
A família se uniu e a avó da vítima pagou, com uma poupança, os custos para o translado de Cristiane o velório e enterro. O dinheiro acabou e hoje ela trabalha para sustentar sua casa e netos. Ela questionou a ação da justiça, que colocou o motorista em liberdade, pagando uma fiança de R$70 mil, reduzida depois para R$23 mil. A fiança foi reduzida pois o juiz entendeu que ele não tinha condições de arcar com um valor maior.
O carro de luxo que ele dirigia, conforme o advogado, não tinha seguro, não estava pago e ele recebeu em um negócio, ficando de pagar a diferença do veículo.
Para Elza Flores, o que ocorreu pode se repetir, caso ele fique de fato em liberdade. Afirmou ainda que preferia ter sua filha de volta e não qualquer indenização, salientando que a situação é complicada, pois seu genro, com as duas pernas amputadas, não pode trabalhar, não consegue pagar a prestação do imóvel em Passo Fundo, nem de um carro que possui e tão pouco custear seu tratamento de recuperação.
O padrasto de Nilandre ajudou com alguns custos, bem como seu irmão, mas a família já não tem mais dinheiro para nada, enquanto o causador de tudo isso segue respondendo em liberdade.