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Polícia

Cumprindo decisão judicial, mais de 30 famílias são expulsas de terreno da Codepas nos fundos da Efrica

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
Imagem não disponível

A situação de incerteza que viviam mais de 30 famílias, há no mínimo dez anos, nos fundos da Efrica, o Parque Volmar Salton, terminou com uma ordem de reintegração de posse cumprida na manhã de hoje (25) em Passo Fundo.

 

Era 7h quando um forte aparato policial foi montado para retirar as famílias que residiam no local, a maioria em casas de madeira. A retirada das famílias foi o desfecho de uma ação de reintegração de posse movida pela CODEPAS, empresa que é dona do local.

 

De um lado, oficiais da justiça, acompanhados por uma equipe da Prefeitura, forte aparato da Brigada Militar e demais autoridades. Do outro, moradores que afirmam terem comprado a área de um primeiro morador local, com registro em cartório e recolhimento de impostos.

 

A Codepas é dona do local porque o imóvel foi doado pela prefeitura, quando a empresa foi criada, em 1992, para capitalizar a empresa que também tem como principal acionista a prefeitura. A CODEPAS é proprietária de outros imóveis também em Passo Fundo, todos repassados pelo município no passado da mesma forma.

 

A área dos fundos da Efrica está próximo de mananciais, o que impede que sejam construídas empresas ou edificações que poderiam ser aproveitadas, depois da saída dos moradores. Um a um, os moradores foram avisados e tiveram tempo para retirar seus últimos pertences antes que uma retroescavadeira derrubasse as casas.

 

Quem tentou argumentar, perdeu força diante da decisão judicial e dos inúmeros avisos que os oficiais deram aos moradores nos últimos dias. A Uirapuru acompanhou a tudo com os repórteres Mateus Miotto e Lucas Cidade.

 

Durante a ação, os moradores tiveram, através do município, caminhões para o transporte dos móveis e pertences. Quem tinha para onde ir precisou apenas informar o destino, mas muitas famílias tiveram que depositar suas coisas em um espaço coberto dentro da Efrica, onde será mantido pela justiça com segurança particular.

 

Emocionada, uma das moradoras, Eneida da Silva, explicou que mora no local há 10 anos, onde criou seus filhos e vive do sustento gerado pela venda de leite, que obtém de dez vacas. Eneida explicou que, quando comprou o terreno, ninguém avisou que havia qualquer problema na área, tanto que teve registro no cartório e com recolhimento de impostos.

 

Os oficiais vão agora guardar os animais pertencentes à família, porém, era dali que vinha o sustento, ficando agora todos sem casa e sem renda.

 

Os terrenos foram comprados pelos moradores do senhor Alcides Natalício Prado da Cunha, com ligação de energia elétrica e água. Em entrevista na Uirapuru ele explicou que paga o imposto ITR, reconhecido pelo município. Destacou que mora no local há mais de 25 anos.

 

Conforme Alcides, os terrenos foram comprados por ele, em direito de posse, vendido por Angelo Adelmo Rosa Correa, com contrato de compra e venda reconhecido em cartório e declaração de área. Posteriormente ele foi loteando e vendendo os terrenos, também com registro em cartório e agora a área foi retomada pela Codepas, já que, para a justiça, é a empresa quem é a real proprietária.

 

Em entrevista na Uirapuru, o diretor administrativo da Codepas, o advogado Marone Fontoura Franco, explicou que a reintegração vinha sendo cobrada pelo Ministério Público e órgãos de proteção ambiental. Isso se deve pela proximidade com mananciais, o que não permite edificações ou criação de porcos, vacas e outros animais.

 

Marone falou ainda que os moradores receberam diversos avisos prévios sobre a reintegração. Mesmo assim a Codepas prestou auxílio, ajudando na mudança das famílias. O advogado falou que, após a retomada da posse, será feito um estudo da área para verificar o que pode ser feito com o local. O processo se arrastou por vários anos e no momento não cabe mais recurso.

 

Famílias viram em loteamentos uma chance de recomeçar e foram lesadas ao comprarem terrenos de boa fé

A ordem de reintegração de posse, executada na manhã de hoje contra as mais de 30 famílias moradoras dos fundos da Efrica, expôs histórias de pessoas que viram no local uma única chance de recomeçar.

 

Em meio a máquinas que destruíram casas e pessoas sendo obrigadas a levaram o pouco que tinham para um abrigo temporário dentro da Efrica, a Uirapuru conheceu a história de um homem deficiente visual e auditivo que vivia sozinho, isolado dentro da mata, no local.

 

O Sr. Juraci, com quase 70 anos, pouca audição, cego de um olho e com apenas 30% de visão em outro, foi retirado também de sua casinha de três metros por três. Em entrevista na Uirapuru, ele explicou que morava há um ano no local, um pequeno terreno dentro da mata, cercado, com uma casinha muito pequena, contendo quarto, banheiro e cozinha.

 

Lá ele passava os dias dentro do local, por enxergar pouco, e quando saía era apenas para colocar comida para galinhas e um cachorro. Suas duas filhas, moradoras de Passo Fundo, se revezavam três vezes por semana no local, fazendo a limpeza e cozinhando para ele.

 

Emocionado, ele afirmou que não entende direito porque deve sair, já que sua família comprou o terreno de boa fé, dando um carro no negócio, para ele ter onde morar.

 

O Sr. Juraci foi levado para a casa das filhas, de forma temporária, até a família conseguir localizar um terreno para novamente erguer uma casa para o idoso ficar.

Momento em que uma casa é destruída: