“Homicídio bárbaro e covarde”: família se manifesta contra versão do acusado no caso Pedro Grando
A família de Pedro Grando do Amarante, vítima do segundo homicídio registrado em Passo Fundo neste ano, se manifestou publicamente através de uma nota enviada à Rádio Uirapuru. A mensagem, assinada pelo advogado da família, Dr. Flavio Luís Algarve, contesta a versão de legítima defesa apresentada pela defesa do acusado e repudia informações divulgadas na mídia.
Sobre o fato:
No domingo (05), Passo Fundo registrou o segundo homicídio do ano. O crime ocorreu na Rua 10 de Abril, no bairro Nonoai, e foi classificado como homicídio doloso. De acordo com informações da Polícia, a Brigada Militar foi chamada após relatos de disparos de arma de fogo contra um cunhado. A vítima, que estava indo buscar gelo no apartamento, se deparou com o autor do crime.
O suspeito, identificado pelas iniciais E.T.S., foi encontrado em seu quarto, onde indicou o local onde havia escondido a arma utilizada no crime – uma pistola Taurus TS9 calibre 9mm, além de outras pistolas e munições. Após ser preso em flagrante, o homem foi conduzido à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA).
A vítima foi socorrida pelo SAMU, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu ainda no hospital. A mãe do suspeito passou mal ao presenciar a situação e precisou de atendimento do Corpo de Bombeiros. Imagens de câmeras de segurança do local já foram entregues à Polícia Civil, que segue investigando o caso. O delegado Camilo Cardoso registrou a prisão em flagrante e solicitou a prisão preventiva do indiciado, que foi levado ao Presídio Regional de Passo Fundo. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O que diz a família da vítima:
“A família de Pedro Grando do Amarante, através de seu advogado constituído, Dr. Flavio Luís Algarve presta importantes informações à comunidade passo-fundense a respeito do homicídio bárbaro e covarde ocorrido no último domingo, praticado pelo próprio cunhado.
A manifestação ocorre somente neste momento por dois motivos: primeiro porque o impacto e reflexos dolorosos do fato e a imediata soltura do autor do homicídio causou total perplexidade, dificultando qualquer ação imediata; segundo porque confiam na Polícia Civil e no Ministério Público.
Esclarecem que o alegado pela defensora do acusado e que veio à tona pelos meios de comunicação, relativo a propagada legítima defesa, contradizem totalmente à realidade e o que está sendo afirmado pelas testemunhas que estavam presentes no local.
Pedrinho, como era carinhosamente chamado por todos que com ele conviviam, era pessoa do bem, estudou no Colégio Conceição e Instituto Educacional de nossa cidade, onde concluiu primeiro e segundo graus. Posteriormente se formou como Engenheiro Mecânico na Ulbra em Canoas/RS, falava inglês fluente, residiu e fez estágio nos Estados Unidos da América, na Europa onde também trabalhou e estudou, até voltar a residir em Passo Fundo. Todos que o conheciam o descrevem como uma pessoa amável, gentil e educada. Pedrinho era conhecido por sua postura pacífica e tranquila. Ele era descrito por todos como uma pessoa amável, gentil e educada, incapaz de adotar qualquer comportamento que justificasse tamanha violência.
O fato não apenas retirou a vida de Pedro. Atingiu a própria família do homicida (cunhado da vítima), seus pais (sogros de Pedrinho), sua irmã (esposa) e os seus únicos sobrinhos, filhos menores do casal, uma menina de três anos e um menino de dois anos de idade.
Por isso, o repudio a todos que tentam se locupletar e aparecer em cima de uma tragédia familiar dessa natureza. E principalmente pelas inverdades divulgadas na mídia, que busca dar legitimidade à uma ação premeditada, covarde e injusta que resultou em um crime hediondo e na morte de um pai de família.
Agradecem à comunidade de Passo Fundo, amigos e familiares pelo apoio e carinho prestados nesta hora tão difícil, bem como também a nossa combativa Polícia Civil, que está incansavelmente desde o primeiro momento investigando o crime.”
Defesa do réu já havia se manifestado. Veja clicando aqui
A Rádio Uirapuru segue acompanhando os desdobramentos do caso. Apuração do repórter João Victor Lopes com colaboração do repórter Bruno Reinehr