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Saúde

Gravidez na adolescência no Brasil diminui pela metade em uma década; médica de Passo Fundo comenta sobre o tema

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Dados preliminares do Sistema de Informações de Nascidos Vivos apontam que o Brasil diminuiu pela metade o número de partos em adolescentes na última década. Os registros do primeiro semestre de 2014 apontavam para o nascimento de 286 mil bebês de mães com idades entre 10 e 19 anos. No mesmo período de 2024 o número caiu para 141 mil nascimentos.

No mundo, a gravidez em adolescentes menores de 15 anos é considerada gravidez de risco, principalmente em relação à mortalidade materna. Estatísticas nacionais e internacionais evidenciam impactos negativos significativos da gravidez precoce sobre o desenvolvimento educacional na adolescência, dificultando a inserção das jovens mães no mercado de trabalho, resultando na manutenção do círculo vicioso da pobreza e no aumento das desigualdades no mercado de trabalho.

Para a médica obstetra do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, Laura Caus, esse decréscimo de nascimentos de crianças de mães adolescentes vem sendo notado ao longo dos últimos anos. Ela atribui essa diminuição ao acesso à informação, especialmente por este público, através das redes sociais. Além disso, a oferta de métodos contraceptivos pelo Sistema Único de Saúde favorece essa estatística. “Temos observado um decréscimo nas taxas de gestação na adolescência nos últimos anos, em vista que existe muito mais acesso hoje à informação e essa informação está chegando aos mais jovens, principalmente pelas redes sociais”, comenta Laura.

A médica lembra também da importância dos métodos contraceptivos oferecidos. “Pelo acesso hoje da população aos métodos contraceptivos de longa duração na saúde pública, a gente vê que a população tem procurado e temos tido bons resultados quanto a isso. Eu acho que é um somatório de acesso à informação, orientação, medo de ter uma gestação na adolescência e principalmente pela disponibilidade de alguns métodos que não são orais, que não são hormonais que as pacientes têm acesso pela rede pública”, ressalta.

Além dos riscos para as mães, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), filhos de mães adolescentes têm maior probabilidade de apresentar baixo peso ao nascer e maior probabilidade de morte do que os filhos de mães com 20 anos ou mais. Durante o primeiro ano de vida, filhos nascidos de mães adolescentes apresentam uma taxa de mortalidade infantil duas a três vezes maior que a de mães adultas e um aumento de seis vezes na incidência de síndrome de morte súbita. Mas o Brasil vem conseguindo reduzir estes nascimentos. Somente entre 2015 e 2019 a redução foi de 32,7%.