Isenção para quem ganha até R$ 5 mil trará benefícios para o comércio local, explica profissional
Ainda na quarta-feira (27), o ministro Haddad anunciou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Na prática, o valor que era retido automaticamente todo mês agora irá para o bolso do trabalhador. A medida, no entanto, só passará a valer em 2026.
Para compensar esse impacto, o governo apresentou a proposta de taxar os mais ricos. As medidas, contudo, ainda dependem da aprovação do Congresso Nacional. Atualmente, já estão isentos trabalhadores que recebem até R$ 2.824 por mês. Acima desse valor, inicia-se uma tabela de descontos que varia de 7,5% a até 27,5%, sendo este último percentual para quem recebe mais de R$ 4.664 mensais.
Destaca-se que, mesmo os isentos, contribuem com o INSS e o FGTS na fonte, ou seja, esses valores não são recebidos junto com o salário, mas sim descontados automaticamente. A isenção para quem recebe até R$ 5 mil abrangerá uma faixa maior de trabalhadores, que verão o valor, antes descontado, agora creditado nas suas contas junto com o salário.
Para explicar esse assunto, a Uirapuru conversou com João Luiz Machado, proprietário da Assecon Contabilidade, uma referência em Passo Fundo. Conforme ele, trata-se de um benefício direto ao trabalhador, que receberá mais por mês e gastará no comércio, ao invés de o valor ser destinado ao governo. João fez um cálculo para uma pessoa que ganha exatos R$ 5 mil mensais.
Essa pessoa receberá mais R$ 479,00 por mês, referente a um imposto que antes era descontado, representando R$ 5.748 a mais anualmente. João destacou que a isenção do imposto vem aumentando de forma mais expressiva desde 2015, indo de encontro à necessidade de reajuste da tabela. A isenção, que entrará em vigor em 2026, não mudará nada para o empregador, pois ele não pagará a mais ao funcionário, apenas repassará a ele o valor que antes ia para o governo.
Para o comércio, o sistema econômico de Passo Fundo sentirá diferença no consumo, com o aumento do número de pessoas gastando e movimentando o comércio. João trouxe um exemplo: se a cidade tem 20 mil pessoas que ganham até R$ 5 mil, com a isenção, haverá R$ 9 milhões e 580 mil a mais circulando mensalmente na cidade.