Falta de políticas públicas dificulta rastreabilidade do câncer de mama em mulheres de baixa renda
O Outubro Rosa é o mês, não só para a conscientização da necessidade de prevenção ao câncer de mama, como também um momento de alerta para a tragédia que se vive no país em termos de atendimento no setor público. E essa tragédia atinge especialmente mulheres mais pobres e em vulnerabilidade social. A afirmação foi feita pelo médico oncologista Álvaro Machado, no Programa Sem Segredo deste sábado. Segundo ele, existe um abismo entre o que o serviço de saúde privado oferece para as mulheres que tem condições de pagar, e o que o serviço público oferece. Não existe políticas públicas de rastreabilidade para prevenção do câncer de mama. Na maioria dos casos, as mulheres descobrem no autoexame, e quando isso acontece, o câncer já está em estado avançado. A partir daí, elas sofrem uma longa caminhada para conseguir exames, mamografia, atendimento e tratamento. O médico citou um artigo científico editado em revista especializada. Ouça o que disse o médico durante o programa:
A médica mastologista do Hospital de Clínicas, Mariana Copetti Goi, disse que o autoexame é fundamental porque é o processo de conhecimento do próprio corpo. Porém, visitar o médico regularmente e fazer a mamografia a partir dos 40 anos é indispensável para a detecção precoce do câncer de mama, já que ele tem mais de 90% de cura quando estágios menos avançados. Mariana alerta que autoexame devem andar junto com o acompanhamento médico:
Descoberto o câncer de mama, a mulher passa por um período em que precisa fazer tratamentos, muitas vezes agressivo, e também cuidar da saúde mental. A psicóloga Lisiane Rebeschini Via Piana disse que este é um momento em que se passa a vida a limpo e que enfrentar a situação com otimismo é meio caminho andado para a cura. A forma de encarar a doença e o tratamento faz toda a diferença, segundo a psicóloga.
Além dos exames preventivos, dos tratamentos e do cuidado com a saúde mental, existe um outro trabalho que é feito pela Liga de Combate ao Câncer de Passo Fundo. Este trabalho assistencial atende mulheres de baixa renda, muitas já chegam com mastectomia e em condições graves. Atualmente a Liga atende 129 mulheres, pouco mais de 20 delas de outras cidades da região. A presidente da Liga, Neli Formigheri, destacou que o trabalho é voluntário, mas de muita qualidade na assistencial social.
Incidência de casos na região
O câncer de mama é o mais incidente e de maior mortalidade entre as mulheres no Brasil. Na última década, entre 2014 e 2023, o número de mortes por câncer de mama na macrorregião Norte do Rio Grande do Sul, com 130 municípios, aumentou significativamente, ultrapassando 50%. No total, mais de 1,2 mil pessoas morreram nesta última década na região, uma média de 125 mortes por ano. Só em Passo Fundo, maior cidade da região, foram 271 mortes, uma média de quase 30 mortes por ano. Os dados foram levantados pelo Centro de Tratamento de Câncer de Passo Fundo – Ctcan.