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Tradicionalismo

Revolução Farroupilha serve de exemplo para os tempos atuais, onde o povo lutou pelos seus direitos, diz historiador

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo

No dia 20 de setembro, é comemorado o Dia do Gaúcho ou o Dia da Revolução Farroupilha.  A data marca o início da Guerra dos Farrapos, em 1835, quando as tropas farroupilhas tomaram a cidade de Porto Alegre. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o historiador e professor Mauricio Paim destacou que, apesar de a cidade ter sido tomada nessa data, os grupos rebeldes já vinham se preparando há vários meses.  Segundo ele, muitos gaúchos, principalmente os grandes estancieiros da região sul, criadores de gado e produtores de charque, estavam insatisfeitos com o governo central.

A Revolução Farroupilha começou num contexto de período regencial, no qual os regentes governavam o Brasil de acordo com seus próprios interesses.  De acordo com Paim, as decisões do governo não atendiam às necessidades da elite pecuarista da região sul do estado, o que gerou descontentamento tanto com o preço do charque quanto com a falta de atenção aos produtores da região.

No dia 19 de setembro, Bento Gonçalves, um dos líderes farroupilhas, comandou suas tropas em direção a Porto Alegre, onde ocorreu a famosa batalha da Ponte da Azenha, o primeiro conflito entre as tropas farroupilhas e as imperiais.  Os imperiais foram rapidamente derrotados, e três dias depois, no dia 23 de setembro, Bento Gonçalves entrou em Porto Alegre, sendo esse o momento oficial em que os farroupilhas tomaram a capital dos gaúchos.

O historiador lembrou que a revolução iniciada no dia 20 de setembro teve momentos épicos e heroicos, mas também foi muito romantizada ao longo do tempo.  A Revolução Farroupilha foi a última grande revolta interna do Brasil, além de ter sido a mais sangrenta e a mais duradoura.  Paim também ressaltou que, na revolução, a população demonstrou seu descontentamento, não ficando apenas no discurso.

Segundo o historiador, é importante celebrar essa data mesmo anos depois, para relembrar que, no passado, nossos conterrâneos decidiram lutar pelos seus direitos.  Paim finalizou afirmando que a data serve para lembrarmos que se o povo quiser mudança, não adianta ficar passivo, é preciso agir, seja por meio do voto ou mostrando seu descontentamento de outra forma.