Advogados traem clientes e fecham acordo milionário com empresa de telefonia também em outras cidades
O caso do ex-advogado Maurício Dall Agnol chamou a atenção do Brasil, revelando um esquema bilionário onde ele fechava acordos paralelos com as empresas de telefonia, aceitando subornos para desistir de ações, que para a empresa, sairiam mais caras. Os processos eram movidos pelos clientes, contra a empresa CRT, por conta da antiga cota de ações a que tinham direito.
Os advogados, de posse de plenos poderes dos clientes, faziam estes acordos e repassavam valores mínimos a eles, ficando com a maior parte.
Antigamente, quando a empresa oferecia linhas telefônicas, o cliente comprava junto com a linha, muitas vezes sem saber, ações dentro da empresa, que ao passar dos anos valorizavam e que não receberam quando a empresa foi vendida, motivando as ações judiciais.
Hoje Dall Agnol, que já foi preso, responde a centenas de processos de seus clientes em liberdade, mas ao que parece ele não foi o único advogado do Estado a realizar este tipo de ação. Nos últimos dias cinco advogados foram denunciados pela suspeita de enganar 147 clientes que processavam uma operadora de telefonia no Rio Grande do Sul.
Segundo o Ministério Público, eles desistiram das ações que pediam indenizações em troca de R$ 9 milhões. As vítimas contrataram o advogado Evandro Montemezzo, de Taquara, que em maio deste ano teve bens e contas bancárias bloqueados pela Justiça.
De acordo com o Ministério Público, o advogado Evandro Montemezzo recebeu os mais de R$ 9 milhões como suborno, repassado pelo Escritório Silva e Berthold, de Porto Alegre, que havia sido contratado pela operadora Oi, dona da antiga CRT.Entre os advogados que atuam no escritório, está o procurador de Justiça aposentado Ricardo de Oliveira Silva, denunciado junto com dois filhos e o sócio.
Os acusados responderão por formação de quadrilha, patrocínio infiel, lavagem de dinheiro e falsidade documental.