Câmara homenageia a Polícia Federal pelos 20 anos de instalação em Passo Fundo
Em 1997, na esquina das ruas Saldanha Marinho e Lava Pés, foi implantada a primeira sede da Polícia Federal em Passo Fundo. Desde lá, são incontáveis operações e histórias que tornam a instituição importante para dia a dia da cidade. Com o objetivo de prestar uma homenagem a todos os que trabalham pela segurança dos passo-fundenses, o vereador Ronaldo Rosa (SD), propôs uma Sessão Solene, realizada na noite desta quarta-feira (12).
O vereador lembrou que a instalação da delegacia aconteceu a partir da articulação de lideranças e da intervenção da imprensa no assunto. Em duas décadas, é possível apontar para muitas grandes atuações que resultaram em reconhecimento em todo o país. “A Operação Carmelinda, que teve seu foco em Passo Fundo, identificou uma quadrilha que praticou uma fraude bilionária, envolvendo ações de telefonia da extinta Brasil Telecom. Essa foi uma das que ganharam destaque, assim como outras, como as de combate ao tráfico de drogas que, em 20 anos, resultaram na apreensão de mais de 23 toneladas de tóxicos ilícitos”, destacou.
Além das operações desencadeadas na região, os agentes da Polícia Federal de Passo Fundo participaram de ações pelo território nacional. Eles estiveram presentes em locais onde ocorreram os Jogos Pré-Olímpicos, as Olimpíadas e a Copa do Mundo e também colaboraram com a segurança do Papa Francisco no Rio de Janeiro.
A homenagem prestada na Câmara de Vereadores é direcionada a todas as pessoas que fazem parte da instituição policial: delegados, escrivães, agentes, peritos, administradores, estagiários e colaboradores. “A grande riqueza da Polícia Federal está nas pessoas que nela trabalham, que honram o juramento que fizeram ao assumir cargos de tanta relevância”, salientou Ronaldo.
O parlamentar também afirmou que o orgulho dos brasileiros pelo trabalho da instituição se intensificou com a Operação Lava Jato, a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve. “A Lava Jato transformou a Polícia Federal numa esperança para a sociedade, numa comprovação de que rico que rouba também vai para a cadeia. Atualmente, as instituições federais passam por um momento de instabilidade, mas a Polícia Federal nunca deixou a desejar no cumprimento disciplinado de suas funções”, mencionou.
Representando a instituição, o delegado Mauro Vinícius Soares de Moraes falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos policiais no cumprimento de seus deveres. Segundo ele, um dos principais fatores que prejudicam a categoria são os excessivos direitos atribuídos às pessoas que cometem delitos e a carência de preocupação do governo com o policial. “O número de flagrantes tem diminuído porque os policiais estão inseguros. Trago, aqui, o caso que aconteceu em Minas Gerais: um policial não atirou no criminoso, que estava apto para atirar nele. Não porque tinha medo do criminoso, mas porque tinha medo da Corregedoria. Ele acabou morrendo”, disse.
Ainda, o delegado também abordou as lutas da classe para que haja investimentos e um melhor sistema prisional, que atualmente detém inúmeras deficiências. Um dos exemplos é a solicitação para que os presídios possuam a capacidade de bloquear os sinais da rede telefônica, uma vez que, segundo ele, o crime organizado continua sob o comando de presos. Ele também citou a qualificação da criminalidade, “que já utiliza fuzis para assaltar pequenos estabelecimentos”. “A atuação do crime organizado acontece cada vez mais violenta e ousada. Enquanto isso, não há nada que altere ou melhore o trabalho do policial, que trabalha no limite ao enfrentar uma criminalidade preparada”, justificou.
A delegacia da Polícia Federal de Passo Fundo atende a 123 municípios, estando entre as com mais abrangência do país. Além de atuar na resolução de crimes, ela também é responsável por emitir os passaportes e cuidar dos imigrantes que chegam na cidade. Para isso, conta com o trabalho de 27 agentes, sete escrivães, sete delegados, cinco peritos e dois funcionários que realizam a administração.
Após expor alguns dos problemas vivenciados na profissão, o delegado aproveitou a ocasião para falar sobre o comprometimento de todos esses profissionais, que enfrentam os riscos que surgirem para efetuar as missões às quais foram designados. “Independente de tudo isso que citei, quero reforçar o comprometimento que temos em prestar o melhor serviço”, falou, agradecendo pela homenagem prestada no Legislativo.
Momento cultural
O Momento Cultural da sessão foi ocupado pelo delegado Mário Luiz Vieira. No violão, ele interpretou duas canções: Gaúcho de Passo Fundo, de Teixeirinha, e Faz Um Milagre Em Mim, de Regis Danese. Com elas, ele traduziu parte do orgulho que sente por trabalhar na Polícia Federal e descreveu a humanização com que busca tratar as pessoas. “Penso muito antes de prender. Em alguns casos, pensei por 40 dias. Queremos que a justiça cresça e seja cada vez maior”, argumentou.