Cerca de 90% da população faz uso da automedicação. O uso incorreto pode causar sérios dados à saúde
Cerca de 90% dos brasileiros se automedicam em algum momento da vida. O uso de analgésicos, antiinflamatórios e até antibióticos são os mais comuns. O Sem Segredo de sábado tratou deste tema com as farmacêuticas Carla Gonçalves, professora da UPF e Natália Freddo, professora da Atitus, com o médico psiquiatra Érico Hecktheuer.
O uso correto é quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, pelo período descrito pelo profissional. O paciente deve obedecer o horário indicado, o tempo de tratamento e a forma como ele deve ingerir o medicamento, de preferência com muita água. “Não adianta fazer um tratamento com antibiótico de sete dias e achar que está bom no quarto dia e interromper o tratamento”, recomenda Carla Gonçalves. De outra forma, os medicamentos de uso contínuo não devem ser interrompidos, sob pena de levar o paciente a uma condição grave de saúde. Segundo a especialista o uso racional deve obedecer a prescrição, o tempo de tratamento e os horários indicados. O uso de remédios de forma conjunta também não é o adequado, podendo um medicamento interferir na ação do outro.
O médico Érico Hecktheuer disse que se criou uma ideia distorcida de que os medicamentos resolvem tudo e aí as pessoas passaram a tomar um para dormir, outro para acordar e passar o dia, mais um para controlar a ansiedade e assim por diante. O médico alerta para o perigo da receita de comadre e afirma que o que serve para uma pessoa, não serve para outra. Ele recomenda que as pessoas fujam do dr. google e busquem atendimento médico em casos realmente necessários. Observou ainda que o uso de remédios para dormir, como zolpidem, podem alterar o comportamento das pessoas.
Todo mundo tem uma farmácia em casa e geralmente com medicamentos desnecessários ou vencidos. A farmacêutica Natalia Freddo explica que o essencial é ter antigripais, analgésicos, remédios para uso contínuo, se for o caso. Estes medicamentos deve ser guardados longe do alcance de crianças, de preferência no alto de um armário e em condições boas de ventilação e fora da luz solar. Ela também recomenda que não se tome remédios com sucos, especialmente o de laranja, leite ou refrigerantes. O consumo deve ser feito com água e muita água para melhor absorção. Além disso, a leitura da bula é fundamental.