Alta do dólar a longo prazo trará reflexos diretos em diversos produtos, explica economista
O dólar, moeda americana que norteia a compra da maioria dos produtos a nível mundial, chegou a R$5,47 na cotação de ontem (19), batendo assim ao menos cinco dias seguidos de elevação. Neste contexto o Real soma 11% e desvalorização frente ao dólar no ano, mas devido a uma soma de fatores. A expectativa é de que a moeda ainda sofra flutuações nos próximos dias, agora por fatores internos como a incerteza do rumo fiscal e manutenção da SELIC.
A Uirapuru conversou sobre este cenário com a economista, professora e doutora em economia pela UPF, Cleide Moretto. Conforme ela, é preciso entender que o dólar aumenta por diferentes fatores e isso trará impactos em breve, pois a economia é globalizada. A desvalorização do Real frente a moeda americana implica em menos desta moeda dentro do Brasil e assim aumento do seu preço por oferta e demanda.
Também, a diminuição do dólar no Brasil ocorre, principalmente, pelo aumento na taxa de juros do mercado americano. Entre aplicar dólar nos EUA ou no Brasil, torna-se mais viável na América, o que leva mais moeda para lá. Cleide explicou que o Brasil consome muitos produtos importados, regidos pelo dólar, o que deve encarecer isso muito em breve.
A cotação de algumas commodities da alimentação, como na produção agrícola, terá custos superiores, pressionando o aumento final de preços. Cleide alertou que, a longo prazo, a continuidade da desvalorização do Real trará perda de poder de compra da população consumidora dos bens relacionados com a moeda americana.