“RS passou por uma tragédia sem precedentes e segue precisando de apoio”, diz presidente do Fecomércio
As enchentes que recentemente assolaram o Rio Grande do Sul deixaram marcas profundas, não apenas no cenário físico, mas também no econômico. Passado o momento crítico das inundações, as atenções se voltam para as estratégias de recuperação e os pacotes de auxílio anunciados pelos governos federal e estadual.
Em entrevista na Uirapuru, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), Luiz Carlos Bohn, compartilhou sua visão sobre a situação atual e as medidas necessárias para a recuperação econômica do estado. Bohn dividiu a questão econômica em três aspectos principais: tributário, trabalhista e financeiro.
Segundo Bohn, uma das primeiras ações solicitadas foi a elisão tributária, ou seja, a suspensão temporária do pagamento de tributos federais. Ele argumenta que o Rio Grande do Sul, como um dos grandes contribuintes do Brasil, merece um alívio fiscal neste momento de crise. Conforme o presidente, o Estado paga bilhões de reais em tributos anualmente e, agora, é a hora de ter um período com alíquota zero. Ele lembra que situações semelhantes já ocorreram em outras partes do Brasil, mas que, até o momento, as ações para o Rio Grande do Sul têm sido limitadas a algumas prorrogações.
Na esfera trabalhista, Bohn sugeriu medidas que poderiam ser implementadas sem grandes custos para o governo federal, como a permissão para redução de jornadas e salários, adiantamento de férias, entre outras ações que foram utilizadas durante a pandemia. No entanto, a resposta recebida foi a oferta de um auxílio de dois salários-mínimos, cerca de R$ 1.400, que as empresas precisam complementar por mais dois meses. Bohn considera essa medida insuficiente diante da magnitude dos problemas enfrentados pelos comerciantes locais. Sobre o aspecto financeiro, ele defendeu que os financiamentos deveriam ser convertidos em adiantamentos, com o governo federal assumindo os custos junto às instituições financeiras. Bohn acredita que essa abordagem ajudaria a aliviar a pressão financeira sobre os empresários locais e permitiria uma recuperação mais rápida.
O presidente também destacou a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura, argumentando que, dada a contribuição do estado ao país, é justo que o governo federal socorra o Rio Grande do Sul. Segundo Bohn, o Estado passou por uma tragédia sem precedentes e segue precisando de apoio para se recompor. O presidente da federação também ressaltou que os problemas no comércio variam conforme a região, com alguns estabelecimentos localizados nas áreas mais atingidas pelas enchentes possivelmente nunca conseguindo se recuperar. No entanto, ele afirma que o Estado todo será impactado. Portanto, na opinião de Bohn, as medidas de socorro devem abranger não apenas as zonas de calamidade pública, mas todo o Rio Grande do Sul, que foi afetado de maneira geral.
O presidente ainda falou sobre o cálculo apresentado pela OABRS, através do presidente Leonardo Lamachia, que sugere que a dívida do Rio Grande do Sul com a União já está paga. Ele argumenta que, em vez de protelar o pagamento por 36 meses, seria mais justo cancelar a dívida completamente, permitindo que o Estado utilize esses recursos para sua recomposição.
Luiz Carlos Bohn acredita que as medidas adotadas até agora são insuficientes para enfrentar a crise causada pelas enchentes. Ele defende ações mais robustas e abrangentes, que considerem a suspensão de tributos, flexibilização trabalhista, conversão de financiamentos em adiantamentos e investimentos em infraestrutura, para que o Rio Grande do Sul possa retomar suas atividades econômicas e se recuperar plenamente dessa tragédia.