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Ponto e Contraponto: Uma tragédia anunciada!

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

O Rio Grande do Sul enfrenta uma tragédia sem precedentes. A quantidade extrema de chuvas que ainda persistem deixa rastro de destruição, desespero, mortes, prejuízos incalculáveis e 1,4 milhão de gaúchos afetados. Estima-se, ainda não oficialmente, algo em torno R$ 19 bilhões para reconstruir o Estado. Pelo menos 30 municípios precisarão mudar a sua geografia, é o caso de Muçum, por exemplo, que em menos de um ano enfrentou três enchentes. Centenas de milhares de pessoas não querem mais ficar nos locais alagados, iniciando um processo de que ouviremos falar muito a partir de agora: o refugiado climático. Embora a prioridade deste momento seja a solidariedade, não é possível desvincular o que aconteceu das decisões políticas que não foram tomadas para que tudo isso pudesse ser evitado ou minimizado. Voltaremos ao assunto em momento oportuno.

Solidariedade conforta
O que nos conforta, neste momento, para além desta tragédia, é a solidariedade de todo o país que estende as mãos ao povo gaúcho. Os governos também estão mobilizados e uma série de medidas já foram adotadas para o socorro emergencial. Mas isso não bastará. Os eventos climáticos são decorrentes do aquecimento global. Ele está aí revelando da forma mais cruel possível que o negacionismo destrói e mata.

A tragédia dentro da tragédia
A maior tragédia de todas, no entanto, chama-se desinformação. As chamadas fake news, nome bonito dado à mentira, têm sugado a energia de quem está realmente trabalhando e ajudando a salvar vidas. E o pior, desinformação produzida com viés político para desgastar adversários. É uma forma também de desviar a atenção das pessoas para as cobranças que estão sendo feitas a políticos coniventes com afrouxamento de regras ambientais e que não deram a mínima para os alertas científicos.

Estupidez
São os mesmos que se aproveitam da desregulamentação das redes sociais e da baixa cognição de seus espectadores virtuais. E aí, a gente tem a tempestade perfeita para a aplicação da lei de Brandolini, também conhecida como o princípio de assimetria da estupidez: “a quantidade de energia necessária para refutar a idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a necessária para produzi-la”. Em outras palavras: é mais fácil espalhar a mentira do que o desmentido. É como espalhar penas ao vento.

Apelo
Essa máquina inescrupulosa e sem controle será investigada pela Polícia Federal, Polícia Civil gaúcha, Ministério Público e AGU. Fez os governos criarem serviços especiais para desmentidos. Em Passo Fundo, claro que não é diferente. Ontem, um dos voluntários que atuam na Manitowoc, local para entrega e logística das doações, usou as redes sociais apelando para que as pessoas não acreditem em fake news. “Estamos trabalhando de sol a sol. Precisamos receber, selecionar, carregar os caminhões…Não carregamos uma carreta em um minuto…as doações estão saindo de forma coordenada”, diz Fabiano.

Concurso

As inscrições para o concurso público da Prefeitura de Passo Fundo serão prorrogadas. A Fundatec, responsável pelo concurso deve divulgar uma nota nesta sexta-feira informando os detalhes. A tragédia no Estado é a razão principal da prorrogação. Muitos dos 19 mil inscritos estão em áreas atingidas pelas enchentes.

Punição
Seria importante uma ação local das autoridades competentes, polícias e Ministério Público para identificar e responsabilizar os perfis que se ocupam de atrapalhar o trabalho dos voluntários e da Defesa Civil.

Máscaras
Alguns ditados são implacáveis na vida: nada como o tempo, que é o senhor da razão; o mundo da voltas; a terra é redonda. As máscaras começaram a cair.

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