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Cidade

Estado determina a Identificação de Vítimas de Desastres devido a enchente e atrasa liberação de corpos no IML de Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

A Rádio Uirapuru acompanhou na tarde desta segunda-feira (06), o drama de familiares que perderam entes queridos e não conseguiram a liberação do corpo, junto ao IML de Passo Fundo. De acordo com informações, devido a situação dramática que vive o Estado, o governo teria aderido ao Protocolo de Identificação de Vítimas de Desastres (DVI). O procedimento é baseado em técnicas internacionais, da Interpol e da Organização Internacional de Polícia Criminal (ICPO) e é utilizado em casos de desastres em massa, como acidentes aéreos, desabamentos, tsunamis, entre outros eventos catastróficos.

A finalidade do DVI é garantir que todas as vítimas sejam identificadas de forma precisa e digna, permitindo que famílias recebam os corpos e possam realizar as cerimônias adequadas de enterro, além de garantir as exigências legais, quando necessário. O trabalho mobiliza profissionais técnicos, em especial peritos criminais, médicos legistas e antropólogos forenses, e é realizado em conjunto com o Instituto Médico Legal (IML).

No entanto, esse protocolo vem atrasando a liberação de corpos aqui em Passo Fundo. Conforme o agente funerário Alisson Szydloski, do município de Áurea, ele está desde a noite de domingo (05) aguardando a liberação do corpo de um jovem que morreu no hospital aqui na cidade. O jovem foi vítima de um acidente de trânsito e, por se tratar de uma morte violenta, acaba se enquadrando no DVI, mesmo não sendo uma vítima das enchentes. Conforme o agente, o corpo passou pela necropsia no IML, mas para a liberação do corpo é necessário a assinatura de um papiloscopista reconhecendo a vítima e atestando a causa da morte.

O agente funerário revela o drama da família que aguarda para realizar os atos fúnebres e a última despedida ao jovem. Ele explica que os familiares já fizeram o reconhecimento do corpo e ficaram por diversos dias no hospital com ele, mas, mesmo assim, devido a esse protocolo, o IML não liberou. Conforme as informações obtidas no local, oito corpos estão no IML aguardando a liberação para serem entregues aos familiares.

A representante do sindicato dos agentes funerários, Valdirene Moreira, relatou que os profissionais da área vem enfrentando esse problema desde terça-feira da semana passada. Ela revela que recebeu a informação por telefone de que agora está sendo adotado o protocolo de Identificação de Vítimas de Desastres. O sindicato está em tratativas com o governo do estado para que se altere essa determinação e que o protocolo só seja adotado nos casos de vítimas das enchentes.