Sabores e artesanato da agricultura atraem público diário de 30 mil pessoas para o Pavilhão da Agricultura Familiar
O Pavilhão da Agricultura Familiar é uma oportunidade para o consumidor estar perto de quem produz a comida que, na maioria das vezes, é comprada no supermercado. Ali, frente a frente com quem planta e colhe o alimento, parece até que o gostinho fica ainda melhor. Desde o dia 26, a Expointer é o principal canal para esse encontro da cidade com o campo. O Pavilhão reúne comida fresca, feita na hora pra quem precisa almoçar ou jantar; se o paladar pedir algo para a sobremesa, as geleias, doces de corte e queijos não decepcionam. Tem suco da fruta, servido bem gelado por quem tirou a uva da parreira. Para ir embora com uma lembrança da feira, os artesanatos oferecem dezenas de opções.
As portas abrem bem cedo. Às 8h, já tem visitante pelos corredores. Este ano, inclusive, os espaços foram organizados e aumentados para facilitar a circulação das pessoas no Pavilhão da Agricultura Familiar. Perto da hora do almoço, mais precisamente às 11h45, Olivar Lazaretti, de 39 anos, já está com bistecas, linguiças e queijos na chapa. A fila, que dura até aproximadamente as 15h, denuncia a qualidade da produção, feita em Constantina, município do Rio Grande do Sul (RS), por cerca de 100 agricultores, associados a Cooperativa dos Agricultores de Constantina e Região (Cooperac).
O Prato da Nona, nome dado ao restaurante da cooperativa dentro do Pavilhão, serve ainda arroz, feijão, polenta e salada. A Cooperac foi uma das primeiras agroindústrias a abrir restaurante na Feira da Agricultura, dentro da Expointer, que este ano realiza a 40ª exposição. “Teve ano que o pessoal chegava aqui na feira com o rótulo do queijo e do salame comprado com a gente, para nos achar aqui no pavilhão. A gente serve comida sem parar, tem fila a tarde quase toda e acho que é porque tem qualidade, né?”, pondera Olivar.
Na praça de alimentação do pavilhão tem ainda opções para quem prefere peixe. Tem pirão, bolinho e isca de peixe. O estrogonofe de bochecha de traíra também faz sucesso. Para um lanche rápido, a famosa cuca alemã, pastel com caldo de cana ou linguiça preparada na hora, rapidinho, no microondas. Sucos naturais de fruta compõem a refeição.
Colonos
Nesta quarta (30) e quinta-feira (31), foi o dia do Pavilhão receber diversas excursões e grupos de colonos do Rio Grande do Sul. O extensionista curitibano Hamilton Borges de Oliveira, de 58 anos, levou cerca de 42 agricultores familiares para conhecerem o evento. A última vez que Hamilton saiu de Contenda, município do Paraná, na Região Metropolitana de Curitiba, para ir a Expointer, foi na década de 80. “A feira está muito boa, bem organizada, e fico feliz em ver esse incentivo a agricultura familiar, que tem sido, de fato, a nossa prioridade, porque é deles que saem os alimentos que chegam na nossa mesa. E esse Pavilhão mostra a força da produção do RS”, pontuou o extensionista.
As vendas este ano no Pavilhão da Agricultura somam, até agora, um aumento de mais de 36,85% na comercialização, quando comparadas ao acumulativo dos cinco primeiros dias de feira de 2016. Só nesta quarta-feira (30), foram R$ 324.242,66. O número é 64,34% maior do que o registrado no quinto dia de feira do ano passado, quando os agricultores somaram R$ 197.299,12.
Ricardo Fritsch, da Cooperativa Agropecuária de produção e comercialização Vida Natural (Coopernatural), de Picada Café (RS), conta que muitos expositores precisaram voltar na propriedade no decorrer da feira para buscar mais produtos. “Cheguei de manhã e tinham oito carros descarregando fora do horário previsto. Ou seja, o pessoal precisou ir em casa, dormir menos, claro, para trazer mais coisas porque acabou as que trouxeram. Vendemos muito mais do que o previsto”, observou o agricultor, que produz a única cerveja artesanal orgânica certificada do Brasil.
Doces
Ericles Raymundo, de 22 anos, e a mãe Ângela Raymundo, de 45 anos, produzem doces de frutas, geleias e molhos, em Passo do Sobrado, município do RS, a cerca de duas horas de Porto Alegre. Os produtos coloniais saem do empreendimento familiar chamado Massa Casa. Para a feira, trouxeram aproximadamente mil doces de corte, entre goiabada e figada; 400 geleias de diversos sabores. Após as boas vendas da semana, a família já preparou a vinda de mais produtos para expor no próximo fim de semana. “Esta é a quarta vez que participamos e está sendo a de melhor resultados. Aqui é a grande vitrine do estado para o estado e, claro, outros lugares, porque vem muita gente de fora”, comemorou Ericles.
Artesanato
Um dos trabalhos mais procurados na feira é o bibelô de ovelha, feito de tábua de madeira de Kiri. Uma madeira leve que, pelas mãos de Volnei da Cruz Silva, de 47 anos, toma as formas do animal. Depois, de forma cuidadosa, já com os pelos da ovelha curtidos (secos ao sol) e separados, ele cola na madeira, transformando-a em uma lembrança típica do Rio Grande do Sul. “Eu e minha esposa vivemos disso há 10 anos. Tivemos muita procura pela ovelhinha e, das 600 que trouxemos, só sobraram estas”, contou ele, ao apontar para cerca de 50 peças ainda expostas no estande.
Quem passeia pela feira encontra ainda peças de tricô, como boinas, blusas de frio; artesanato com trança de palha de trigo; linho, madeira e bambu. E é com bambu, inclusive, que o agricultor indígena Leandro Garai, de 21 anos, confecciona o apito de taquara. O brinquedo, de aproximadamente 15 cm, não passa desapercebido pela feira. Foram vendidos mais de 500 nos primeiros dias do evento. “Quem sabe tocar, consegue reproduzir o som de um sabiá, consegue atrair os pássaros, mas quem não sabe faz bastante barulho mesmo”, ponderou o artesão, que expõe ainda colares, pulseiras e animais em madeira.
Expointer
O Pavilhão da Agricultura Familiar reúne 145 de agroindústrias e 47 de artesanatos rurais, plantas e flores. Envolve 1.340 famílias de 131 municípios gaúchos, além de seis expositores de Minas Gerais. A feira é realizada, em Esteio, município do Rio Grande do Sul (RS). A 19ª Feira da Agricultura Familiar é uma promoção do Governo Federal, por meio da Sead, e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, pela Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo (SDR) e Emater-RS. A comissão organizadora é composta pela Fetag-RS, Fetraf-RS e Via Campesina. Durante a abertura oficial do evento, mais de 2 mil pessoas circularam pelo Pavilhão da Agricultura Familiar.
Serviço:
19ª Feira da Agricultura Familiar na Expointer
Data: 26 de agosto a 3 de setembro de 2017
Horário: 8h às 20h
Local: Parque de Exposição Assis Brasil – Esteio (RS)
Ingressos a partir de R$6