Após incêndio, diretoria do Clube Capingui revela que não venderá ginásio
No último sábado (27), um incêndio na parte interna do Ginásio do Capingui, localizado na Rua General Osório, no Centro de Passo Fundo, chamou a atenção e mobilizou o Corpo de Bombeiros. O fogo atingiu a arquibancada de madeira, do lado direito do acesso ao ginásio, consumindo parcialmente a estrutura. Embora não houvesse ninguém no interior durante o incidente, a constatação de que o local estava sendo habitado por moradores de rua levantou preocupações quanto à segurança e à preservação do patrimônio.
Foi necessário arrombar as portas de entrada para combater o sinistro, revelando a precária condição do edifício interditado. Os vestígios indicam que o espaço tem sido alvo de invasões frequentes, com buracos nas paredes e no telhado. As causas do incêndio serão investigadas, mas as primeiras análises apontam para a utilização indevida do prédio por pessoas desconhecidas, uma vez que a rede elétrica está desligada e não há outras fontes de ignição aparentes.
Após o ocorrido, diversos ouvintes entraram em contato com a Rádio Uirapuru, expressando preocupação sobre o destino do Ginásio do Capingui. Falando sobre o assunto, o vice-presidente do Clube Náutico Capingui, Adolfo de Freitas, esclareceu a situação do ginásio, destacando que o clube é detentor do local, que tem mais de 40 anos de história. O ginásio, construído na década de 1960 e finalizado em 1974, foi interditado no final de 2021 devido a danos causados por cupins na estrutura de madeira. O risco de desabamento levou os bombeiros a interditarem o espaço. Desde então, o clube tem buscado soluções para a restauração, realizando estudos técnicos e consultando engenheiros.
Freitas ressaltou que o clube, que depende da decisão dos associados, está capitalizando recursos para realizar o necessário restauro. O processo inclui medidas para evitar invasões, como fechamentos com grades e tijolos. No entanto, a localização central do ginásio e seu tamanho dificultam a manutenção dessas barreiras, resultando em invasões recorrentes. Quanto ao incêndio, o vice-presidente do clube suspeita de uma possível vingança, destacando que o local havia sido fechado dois dias antes do incidente. Ele acredita que alguém, insatisfeito com as medidas de segurança, tenha tentado atear fogo em dois pontos específicos do ginásio, resultando em um princípio de incêndio que foi controlado.
O Clube Náutico Capingui, único clube náutico de Passo Fundo cadastrado na Marinha para cursos de navegação e guarda de barcos, enfrenta desafios financeiros. Com um número limitado de sócios, a receita provém das mensalidades e antes de ser interditado também vinha da locação do ginásio, que já foi utilizado pelo Passo Fundo Futsal por um longo período, por exemplo. Mesmo assim, a diretoria atual não tem a intenção de vender o ginásio, considerado o único patrimônio do clube. O plano de restauração está em andamento, envolvendo regularizações, medições e a contratação de uma empresa especializada. O objetivo é preservar o espaço, mantendo-o fechado e limpo para evitar incidentes futuros, como o incêndio do último final de semana. O processo, entretanto, demanda tempo, recursos financeiros e um projeto bem elaborado.