“Matei por medo” afirma autora do homicídio do bairro Vera Cruz
Na tarde de ontem, segunda-feira (09), ocorreu o 4° homicídio do ano em Passo Fundo. Desta vez, o crime foi registrado no Bairro Vera Cruz, Rua Ludovico Della Mea com Rua Canguçu.
Por volta das 14h00, a Sala de Operações 190 da Brigada Militar foi acionada por motivação de uma discussão entre vizinhos, naquele local. Prontamente uma guarnição do 2° Esquadrão foi acionada via Rádio interno da BM para deslocar ao endereço e averiguar os fatos, sendo também deslocado o sargento auxiliar de serviço externo do 3°RPMon.
Ao chegar no endereço, a primeira guarnição (2°Esquadrão) foi informada por um popular que havia ocorrido disparos de arma de fogo e um veículo Fiat/Uno, tripulado por dois indivíduos, teria levado a arma dos disparos.
Prontamente essa guarnição, com posse nas informações de direção e características do veículo, iniciou as buscas pelas redondezas. Em alguns minutos e quadras depois, o carro foi localizado e abordado. No interior estavam os dois homens e após busca veicular foi localizada a arma do crime, uma pistola Taurus/G2c, com cinco munições intactas. Os dois indivíduos foram presos.
Na residência, em tempo simultâneo, a guarnição do Sargento (Auxiliar de Serviço Externo), constatou que havia o óbito de uma mulher no interior do imóvel.
A área foi toda isolada para preservar a perícia, devido à quantidade de cápsulas no chão. Os procedimentos de acionamentos da Polícia Civil, Instituto Geral de Perícias e Funerária foram tomados.
A vítima foi identificada como: Marina Dias de Abreu, de 30 anos.
A Reportagem Policial da Rádio Uirapuru acompanhou todos os procedimentos policiais após o crime, podendo trazer as seguintes atualizações:
Marina:
A mulher, mãe de dois filhos, estava em prisão domiciliar desde que se envolveu em um crime brutal, quando esfaqueou o cachorro da vizinha. Ela chegou ser presa em flagrante, encaminhada ao presídio, sendo revertida a prisão em domiciliar.
Como tudo começou:
Baseado em uma entrevista realizada com a autora dos disparos, desde o mês de setembro vinha ocorrendo várias ameaças de Marina, para a família da autora.
Tentativas de homicídio por parte de Marina:
Segundo a autora, no dia 02 de Setembro de 2023, Marina esfaqueou seu marido, com quatro facadas, e também esfaqueou o seu compadre, este vindo a ficar em estado grave e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), tendo que fazer em torno de seis bolsas de sangue. Ambos se recuperaram.
Câmeras de monitoramento:
A autora dos fatos, para se resguardar e provar as ameaças proferidas por Marina, colocou diversas câmeras de monitoramento para comprovar sua versão. Em vídeos (imagem e áudio), ela prova que estava sendo ameaçada por Marina. As câmeras comprovam também todas as informações de como ocorreu o crime, mostrando em imagens e áudio a sua versão. A Polícia Civil recolheu todas as imagens antigas e do fato.
Sobre o crime, que momento começou?
Na manhã de ontem, dia 09, Mariana estava agitada e proferindo diversas ofensas contra a autora. Ainda pela parte da manhã, ela teria “estourado uma champanhe” e comemorado, bebendo em frente a residência.
No decorrer, já início da tarde, Marina teria saído do interior de sua residência e foi até a casa da autora “chamando para fora”, efetuando diversas palavras de baixo calão, além de ameaçar a família da autora.
Momento depois, as ameaças iniciaram para a casa da sua sogra, que fica ao lado.
Durante tempos, permaneceu o bate bocas entre as partes, porém, com medo, a autora permaneceu dentro de casa, com seus filhos pequenos.
Momento que ocorreu os disparos:
Durante a calorosa discussão entre as partes, Marina vai até as grades da residência da sogra e tenta pegá-la pelas grades.
Em momento de fúria, Marina retorna a casa da autora e faz ameaças mais próximo a residência, e visando o perigo eminente, a autora puxa uma pistola G2c, sem conhecimento técnico, efetua pelo menos seis disparos em direção a Marina. Um dos disparos chegou atingir o chão (pelo que flagra as câmeras de monitoramento). A mulher, é atingida três vezes, sendo dois tiros acertados no peito e um na mão. Marina corre para o interior de sua residência e morre sentada no sofá.
Momentos após os disparos:
As câmeras flagram a autora dando golpes no ferrolho da arma, demonstrando que não havia habilidade técnica para o manuseio. Após as imagens não aparecem mais ninguém no local, por minutos.
A entrega da arma para um carro de conhecidos que vinha passando pelo local:
Nervosa, a autora visualiza se aproximar o carro de um conhecido e entrega a arma pedindo “para que eles levassem a pistola”. Momentos depois a dupla foi presa em uma rápida ação da Brigada Militar/3°RPMon. A arma estava em situação irregular, sendo raspada e com registro de furto que ocorreu em Porto Alegre. Os dois foram presos, sendo registrado na DPPA o Auto de Prisão em Flagrante pelos crimes de posse irregular de arma de fogo de calibre restrito e receptação do armamento.

Um deles tinha passagens policiais. “A dupla não tem nada a ver com a morte” afirma a autora.
Os dois presos foram saber do crime, quando comunicados pela Brigada Militar e só tomaram conhecimento de quem era a vítima quando contaram na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA).
A autora fugiu do local em um carro particular.
A apresentação da autora na DPPA:
Após cerca de cinco horas do crime, a autora se apresentou na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) com seu advogado, Dr. Guilherme Valendorf.
Mulher foi liberada na Delegacia:
Após prestar sua versão do fato, entregar os vídeos a Polícia Civil e comprovar sua idoneidade, não tendo nenhum registro policial contra em sua ficha, o delegado plantonista Fábio Miguez, registrou o caso como legítima defesa. O crime será investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), e a autora aguardará os procedimentos em liberdade.
Confira a entrevista do advogado Guilherme Valendorf:
Confira a entrevista com a autora do homicídio:
O Repórter Policial João Victor Lopes acompanha o desenrolar deste caso policial.