Skip to content

Política

Dia Mundial Sem Carro: Câmara adere à campanha que busca a utilização de meios de transporte sustentáveis

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
Imagem não disponível

Entre 2001 a 2012, o número de automóveis que transitam pelo país dobrou, passando de 24 milhões para 50 milhões de veículos. Em Passo Fundo, é possível observar este crescimento principalmente nos horários de pico, quando os congestionamentos se formam nas vias coletoras e arteriais. Para estimular uma reflexão sobre a utilização excessiva deste meio de transporte, a Lei 4414/07 incluiu no calendário municipal o Dia Sem Carro, que é lembrado hoje (22), data em que campanhas mundiais promovem o alerta relacionado às consequências do aumento da frota.

 

A ideia é que as pessoas experimentem a troca de automóveis por bicicletas e coletivos urbanos ou que se desafiem a efetuar o seu trajeto diário através de uma caminhada. O vereador Rafael Colussi (DEM) aderiu à campanha e, ainda pela manhã, chegou de bicicleta na Câmara. “É uma forma de mostrar a mim mesmo que eu posso fazer isso e de mostrar às pessoas que elas podem utilizar a bicicleta no seu dia a dia. Eu, por exemplo, vim com a roupa de trabalho, pois, logo mais, tenho uma reunião. Em outros países, muitos deles desenvolvidos, as bicicletas já substituem os veículos”, disse.

 

O vereador recebeu um estímulo da assessora Fabiana Gil Veiga, que comentou sobre o Dia Sem Carro e demonstrou sua vontade de tentar trocar o hábito de usar o automóvel pelo de pedalar. Ela, que mora no Bairro Vera Cruz, saiu de casa às 7h20 da manhã e chegou no gabinete por volta das 7h50. Embora tenha demorado um pouco mais que o comumente, percebeu que essa ação pode trazer uma série de benefícios. “É a primeira vez que venho de bicicleta, mas pretendo fazer isso sempre. Além de a gasolina estar cara, estou sedentária. Sem contar que desafoga o trânsito e contribui com o meio ambiente. O Dia Sem Carro foi um empurrão para que eu faça isso todos os dias”, relatou, apontando que os motoristas de automóveis da cidade não estão acostumados com o trânsito de meios alternativos e têm dificuldades em respeitá-los nas vias, o que pode dificultar a adesão da bicicleta.

 

Outras pessoas ajudaram a transformar o movimento nas ruas de Passo Fundo e o expediente da Câmara de Vereadores desta sexta-feira. A assessora parlamentar Stefany Brunetto também escolheu a bicicleta em vez do carro. Ao contrário de Fabiana, ela, que mora nas proximidades da praça Santa Terezinha, percebeu que teve uma economia de tempo. “Cheguei em sete minutos, sendo que costumo fazer o trajeto em 10 quando estou carro”, enfatizou.

 

Embora tragam mais praticidade e comodidade ao dia a dia das pessoas, os automóveis possuem um alto custo, que engloba desde os impostos, combustível e estacionamento até a manutenção. E mais que isso: os efeitos do seu uso desenfreado atingem a saúde da população e do meio ambiente, que sofrem com a exposição à poluição.

 

A legislação municipal propõe que Passo Fundo incentive a utilização de meios de transporte sustentáveis, como a bicicleta, que é econômica e não emite gases poluentes e barulho. Desde 2016, a cidade conta com o sistema de bicicletas compartilhadas e as ciclovias, um impulso a mais para que os passo-fundenses diminuam a emissão da poluição e ainda contribuam com a mobilidade. No caso de percursos mais longos, quando é inviável usar a bicicleta ou ir caminhando, a orientação é para que os coletivos urbanos sejam aproveitados.

 

O presidente do fórum da Agenda 21 de Passo Fundo, Ademar Maques, alega que os carros, na cultura do Brasil, já são uma extensão do corpo humano e que as pessoas acabaram estabelecendo o costume de tirá-los da garagem até mesmo para os trajetos curtos, como ir ao mercado que fica a três quadras de suas casas. “O sistema motorizado é cultural e as nossas cidades foram preparadas para ele. Elas não têm estrutura para bicicletas, por exemplo. A Agenda 21 defende a importância de fomentar a utilização dos meios sustentáveis e da carona compartilhada para mudar o que vemos hoje e aumentar a qualidade de vida”, justificou.

 

A campanha intitulada Dia Mundial Sem Carro instiga as pessoas a desenvolver a independência dos veículos automotores, as levando a identificar as vantagens de meios sustentáveis. Para Ademar, ela deveria ser estendida a, ao menos, uma vez ao mês, o que, além de colaborar com a saúde e o planeta, favoreceria uma maior harmonia no trânsito e a aceitação desses meios como parte do fluxo. “A Agenda 21 não é contra o automóvel, desde que ele seja utilizado de forma inteligente, e acredita que as pessoas deveriam aderir à ideia durante o ano todo. A campanha vem mostrar que é possível fazer as atividades diárias se deslocando de outra maneira”, esclareceu.