Maior envelhecimento da população poderá criar conflitos entre gerações, afirma pesquisadora
Desde 2010 até 2022, a população idosa cresceu 42%. Esse aumento significativo tem gerado reflexos diretos em diferentes aspectos da comunidade, desafiando as estruturas existentes e trazendo à tona questões complexas que envolvem não apenas o aspecto biológico, mas também o econômico, social e demográfico do envelhecimento humano.
Falando sobre o assunto na Uirapuru, a Dra. Cleide Fátima Moretto, economista e pesquisadora no campo do envelhecimento humano pela UPF, enfatizou que, quando é discutido o envelhecimento, a maioria das pessoas imediatamente pensa em aspectos biológicos. No entanto, essa é apenas uma das muitas dimensões que precisam ser consideradas. Com a dimensão biológica, há ainda a dimensão econômica, social e demográfica.
De acordo com Cleide, o Brasil, como muitos em desenvolvimento, envelhece mais tardiamente em comparação com nações mais desenvolvidas. Então o momento atual era previsível, uma vez que o país tinha um crescimento populacional que manteve uma grande parcela da população em idade ativa, sustentando economicamente aqueles que já haviam deixado o mercado de trabalho. Essa estrutura demográfica equilibrada era fundamental, não apenas para a economia, mas também para o sistema previdenciário.
Entretanto, as melhorias na saúde e a redução na taxa de fecundidade chegaram ao Brasil, resultando em uma mudança significativa na população com 65 anos ou mais. De 2000 a 2010, essa população cresceu 42%, e de 2010 a 2020, o aumento foi de 57%, conforme a economista. Atualmente, o Rio Grande do Sul é considerado o Estado mais envelhecido do Brasil, seguido pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O desafio, como aponta a Cleide, é que a sociedade não estava preparada para essa mudança, que havia sido discutida, mas com ações insuficientes. Diante disso, o envelhecimento da população gera conflitos intrageracionais e expõe a dificuldade de criar mecanismos de comunicação entre diferentes gerações, muitas vezes divididas pelo uso de tecnologias.
Um ponto importante a ser considerado, segundo ela, é a discrepância nas habilidades, com gerações mais antigas trazendo uma visão sistêmica de longo prazo, capacidade de resolver problemas e compreensão dos processos, enquanto as gerações mais jovens estão imersas em tecnologia e inovação. Portanto, empresas e sociedade em geral devem encontrar um meio-termo para permitir que todas as gerações contribuam de maneira eficaz.