Conflito no Oriente Médio gera discussão na Câmara de Vereadores
O diretório municipal do PT de Passo Fundo emitiu, na noite desta segunda-feira, uma nota em solidariedade à vereadora Eva Valéria Lorenzatto por entender que ela foi vítima de violência política de gênero, na sessão plenária da Câmara, desta segunda-feira. De acordo com o partido, esta foi a segunda vez que a vereadora sofreu este tipo de atitude do vereador Rodinei Candeia (Rep). O primeiro caso, ocorrido no ano passado, por conta da eleição presidencial, chegou a ser levado para à Comissão de Ética, mas foi arquivado. O diretório do PT anunciou que vai novamente representar contra Candeia na mesma comissão, além de denunciar a ocorrência em órgãos competentes.
A interrupção da fala da vereadora Eva ocorreu no momento em que ela fazia uma manifestação sobre o conflito no Oriente Médio, envolvendo Israel e o grupo terrorista Hamas. A vereadora defendia o fim da sequência de mortes de crianças e mulheres na faixa de Gaza. Candeia pediu questão de ordem interrompendo a fala da vereadora, alegando que ela estaria fazendo acusações infundadas contra Israel.
Na presidência, o vereador Nharam Carvalho (UB) suspendeu a sessão por alguns minutos, depois do protesto de Eva Valéria ao reclamar da falta de educação de Candeia. Segundo ela, o vereador não admite opiniões divergentes. “Eu fui eleita e represento a comunidade como qualquer um aqui”, acrescentou. Depois de consultar a procuradoria jurídica, Nharam deu questão de ordem a Candeia e assegurou o tempo restante de fala da petista. Candeia argumentou que queria alertar a Mesa Diretora que deveria advertir a vereadora em caso de falsas acusações.
Segundo a procuradoria, o vereador que está na tribuna pode se manifestar livremente sem ser advertido. E se, cometer algum tipo de ilegalidade, pode ser questionado posteriormente por quem se sentiu atingido.
Outros vereadores manifestaram solidariedade à vereadora Eva, como Rufa Soldá (PP), Altamir dos Santos (Cidadania) e Regina dos Santos (PDT). Rufa disse que se Candeia exige silêncio na hora em que ele fala na tribuna, também deve respeitar o espaço dos demais colegas. Altamir lamentou que a interrupção tenha atrapalhado a linha de raciocínio e tirado a concentração da vereadora Eva, que tem todo o direito de expressar sua opinião.
Já a pedetista Regina dos Santos reforçou que a violência política de gênero é a realidade enfrentada pelas mulheres na política e disse que a falta de respeito com as parlamentares vem se repetindo em todos os espaços políticos do país. “Se um homem vier aqui e falar a mesma coisa, não será interrompido”, mencionou.